Rui Martins, activista e dirigente associativo, escreve semanalmente aos domingos no LUX24.

Os Três Princípios que devem ser aplicados em qualquer grande obra que tenha impacto no estacionamento em Lisboa:
1. ratio zero no estacionamento: cada lugar de estacionamento perdido por moradores será compensado numa distância máxima de 5 minutos a pé,
2. reduzir a quantidade de veículos que entram na cidade todos os dias,
3. prosseguir a evolução verde da mobilidade em Lisboa: ciclovias, electrificação e transportes públicos.

Para saber mais: criar métricas em tempo real e publicar as ditas no site da Câmara Municipal:
– quantos carros existem por habitação?
– quantos dísticos há por freguesia? quantos lugares? qual é a ratio?
– quantas casas há por freguesia? qual a média de habitantes?
– quantos parques de estacionamento com quantos lugares há por freguesia?
com que preço?
– quantos carros entram e saem de Lisboa todos os dias?
– quantos lugares de estacionamento estão vazios, no horário laboral, nos estacionamentos privados de prédios de habitação ou de escritório? Quantos lugares deste tipo existem em Lisboa, por freguesia e bairro?

O que se pode fazer para libertar lugares de estacionamento?

1. Criar um principio: quando um bairro tem uma percentagem de comércio/espaços de escritório abaixo de x% criar uma métrica automática que o designa como bairro reservado a moradores

2. Parques Privados SmartParking: Uso inteligente dos parques de estacionamento privados em edifícios de habitação

2.1. Os parques de estacionamento em edifícios privados (escritórios ou habitação) estão frequentemente subutilizados tendendo a estarem vazios durante as horas laborais. Um estudo realizado em 2010 em Tippecanoe County, no Indiana (EUA), concluiu que existiam 2.2 lugares vazios por cada carro numa destas garagens. Em Lisboa não deverá ser muito diferente pelo que podemos estar a falar de algo em torno dos 100 mil lugares desperdiçados (estimando apenas um lugar vazio por cada edifício no concelho de Lisboa).

2.2. Este espaço desperdiçado representa uma oportunidade de negócio e uma alternativa para a gestão do espaço urbano da cidade. A EMEL pode fazer a ponte entre os condomínios e os cidadãos e criar um protocolo comum a que aderem os proprietários de espaços de estacionamento subutilizados recebendo em troca um pagamento fixo por lugar da empresa a qual, posteriormente, coloca esses lugares numa aplicação de estacionamento que os utilizadores (moradores e trabalhadores em Lisboa) podem usar a um custo controlado (mas mais favorável para residentes). Para além do desperdício de espaço uma aplicação destas permitiria poupar todas emissões que os veículos que procuram lugares de estacionamento fazem ao percorrer as ruas (segundo um estudo nos EUA: 75 horas por ano por cada carro sem estacionamento reservado e outro estudo indica que entre 30 a 60% de todos os carros nas zonas urbanas circulam apenas porque procuram um lugar para estacionar), dar um rendimento acrescido aos particulares e condomínios, poupar dinheiro aos utilizadores dos espaços (se for mais barato que os lugares EMEL convencionais) e a tecnologia já existe não tendo que ser inventada: trata-se da do conceito da Parkey do designer catalão Nacho Castillo Moreno que sem exigir a instalação de equipamento nas portas de garagens e com um simples controlador RF ligado ao Bluetooth do telemóvel (que pode ser usado como abertura de porta) permite informar o estado de livre ou ocupado de cada lugar.

2.3. Seguir o exemplo de San Francisco (EUA) e instalar uma rede de sensores que alerta os condutores quando um lugar de um parque ou lugar de rua está prestes a ficar disponível. SF instalou mais de 6 mil sensores no asfalto integrados com uma App e a rede de GPS.

2.4. Construir parques como o de “West Hollywood” (EUA) onde os condutores se limitam a deixar o carro à porta que, depois, é captado por um sistema automático que o arruma como peças de Tetris maximizando o espaço de garagem.

2.5. Criar um sistema de preços dinâmico e variável consoante o uso e densidade ao longo do dia, semana e mês. Este modelo deriva da proposta de Donald Shoup, um investigador na área de mobilidade urbana da “University of California”. Um estudo indica que um sistema dinâmico de preços poderia fazer cair o tempo que as pessoas gastam à procura de estacionamento em 43% e que um aumento de 10% no preço poderia fazer cair a procura entre 3 a 10%.

2.6. Reduzir o preço dos tickets EMEL em todas as freguesias a todos os que tenham dístico de residência algures na cidade.

2.7. Criar sistemas inteligentes de estacionamento que recolhem dados sobre o estacionamento disponível em toda a cidade e o apresentam a uma app móvel que orientará os condutores para os parques com lugares vazios mais próximos e que guia os condutores já nesses parques até ao exacto lugar que está vazio

2.8. Criar um programa que oferece valor às empresas que troquem lugares de estacionamento por pagamentos directos aos colaboradores p.ex. através de cosubsidiação

2.9. Nas zonas de cargas e descargas criar sensores que alertem em paragens de mais de 30 minutos e abrir estas zonas de estacionamento gratuito a utilizadores de comércio local

2.10. Revisitar todos os anos os lugares de falsas garagens e libertar assim estes lugares para os moradores. Ver http://vizinhosdoareeiro.org/falsas-garagens-e-estacionamento-no-areeiro/

2.11. Fiscalizar o bom uso ou a actualidade de todos os lugares reservados para deficientes para evitar abusos por parte de terceiros.

2.12. Reduzir todos os lugares reservados para empresas e organismos do Estado

2.13. Todos os lugares reservados por empresas e organismos do Estado devem estar limitados ao horário laboral

O que se pode fazer para criar novos lugares de estacionamento?

1. Criar parques de estacionamento verticais (silos) junto das estações de CP e dos pontos de entrada na cidade mas há que ter em conta que a maior crise de Lisboa (que tornará a ser flagrante quando a Pandemia passar) é a da habitação pelo que construir estacionamentos em locais que podem ser usados para habitação pode ser uma opção impossível. Nestes novos parques fazer como a “Chicago’s Greenway Self-Park garage” que tem um telhado “verde”, postos de electricidade e aerogeradores na estrutura externa para que seja autosuficiente e consiga, até, vender energia à rede.

1.1. Integrar os porta-a-porta gratuitos das juntas em circuitos que passam por estes parques de contenção a horas regulares

1.2. Cada parque de contenção pode ser gratuito (para estimular o uso) e dar, a preços controlados, acesso a um passe mensal GIRA

1.3. Instalar junto a cada parque de contenção uma estação GIRA e lugares reservados de carros partilhados.

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