Rui Curado Silva, investigador em Física, escreve quinzenalmente às quartas no LUX24.

Até hoje pouco mais que 550 mulheres e homens, pertencentes a 40 países diferentes alcançaram o espaço. Apenas cerca de 10% eram mulheres. O processo de seleção varia de agência para agência e tem evoluído ao longo do tempo.

A ESA abriu o novo concurso de seleção de astronautas no passado 31 de março. As candidaturas estão abertas até 28 de maio deste ano e deverão ser submetidas no site: http://jobs.esa.int.

O primeiro passo para admissão ao concurso requer o envio de documentos de identificação, um curriculum vitae, um certificado médico European Part-MED, Class 2, equivalente a piloto privado e o preenchimento do formulário de candidatura.

A obtenção do certificado requer alguns exames: análise ao sangue, eletrocardiograma, tensão arterial, mobilidade de membros, teste de visão, etc. O formulário de candidatura é composto por um conjunto de secções dedicadas ao percurso académico e profissional, à forma física do candidato, às suas competências técnicas, desportivas e linguísticas, à sua experiência de voo, ao seu perfil psicológico e ao seu nível de sociabilidade.

No concurso anterior, em 2009, o número de candidaturas válidas ultrapassou as 8400, entre as quais 210 eram portuguesas. Deste total de 8400, apenas 918 foram selecionados para a primeira série de testes, que se realizou na Alemanha, no centro da ESA de Darmstadt.

Aqui os candidatos foram sujeitos a uma bateria de testes cujo objetivo era avaliar simultaneamente as suas capacidades linguísticas, os seus conhecimentos técnicos e científicos, a versatilidade do raciocínio, do cálculo mental, a sua capacidade de concentração e de decisão sob um ambiente de stress.

Por exemplo, o astronauta britânico Tim Peake no seu livro “The Astronaut Selection Test Book” apresenta exemplos de exercícios que são realizadas durante estes testes em Darmstadt.

Depois de quatro fases de testes cognitivos, técnicos, de personalidade, médicos e duas rondas de entrevistas, serão selecionados quatro astronautas efetivos e 20 astronautas de reserva.

Apesar de teoricamente qualquer candidato de um país membro poder aspirar aos quatro lugares de astronauta efetivo, na prática a ESA requer que os candidatos selecionados tenham um apoio institucional e financeiro do respetivo país membro.

É esperado que na fase final do processo de seleção os estados, a que pertencem os candidatos que restam, garantam uma missão científica a ser realizada na Estação Espacial Internacional (EEI) envolvendo instituições nacionais.

É esperado igualmente que estes estados contribuam razoavelmente para o programa de exploração da ESA. Se um estado não cumprir estas duas condições muito dificilmente terá um candidato entre os astronautas efetivos.

No entanto, a nova categoria de astronautas de reserva abre novas perspetivas a candidatos de países membros com contribuições residuais para o programa de exploração, como é o caso de Portugal.

Esses astronautas de reserva deverão manter uma forma física que obedeça às exigências físicas mínimas do corpo de astronautas efetivos. Poderão integrar o corpo de efetivos, se o respetivo país membro decidir entrar com um montante à altura de uma missão na EEI ou se a ESA necessitar de astronauta para desempenhar funções específicas que apenas aquele astronauta de reserva poderá realizar.

Em suma, muito provavelmente Portugal terá o seu primeiro astronauta, mas por enquanto apenas na categoria de reserva.

A partir daí, ou é tomada a decisão de investir consequentemente no programa de exploração da ESA ou o primeiro voo ficará para o próximo concurso de astronautas, muito provavelmente dentro de mais de 10 anos.

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