Rita Limede, psicóloga e produtora de eventos musicais, escreve semanalmente aos sábados no LUX24.

As expectativas em relação a algo fazem parte de nós. Por muito que queiramos levar as coisas um dia de cada vez, não esperar algo relativamente ao nosso futuro – em especial quando no horizonte está uma suposta mudança ou evento – é quase anti-natura.

No entanto, é muito mais fácil controlarmos e ajustarmos as expectativas quando algo depende apenas do nosso comportamento. Por exemplo, se tivermos certas expectativas relativamente ao resultado de uma avaliação, para sucedermos basta-nos, na grande maioria das vezes, estudar e aplicar-nos bastante. Quando o nosso sucesso não está dependente apenas de nós, as coisas ficam mais complicadas.

É aqui que entra o confronto entre as expectativas com a realidade. Em várias questões da nossa vida pessoal e profissional, as mudanças e os eventos marcantes não vão depender apenas do nosso comportamento, pois há outras variáveis em jogo que em nada dependem das nossas ações. Por muito bons que sejamos, por muito que nos esforcemos, não vamos conseguir controlar o comportamento e as escolhas dos outros.

Nestas situações, as nossas expectativas vão entrar em confronto com a realidade. Quando não estávamos a espera de sair derrotados, vai ter que haver um período de ajuste mental, sentimentos negativos de desadequação ou até mesmo de culpa poderão surgir. Faz parte do processo.

Ainda assim, é importante fazer uma introspeção para perceber de que forma é que podemos ultrapassar isto, lidar com a realidade e não deixar que os sentimentos negativos de desadequação se tornem numa fonte de mal estar permanente e incapacitante.

Por vezes, um dos sentimentos mais comuns quando a realidade não corresponde às nossas expectativas é o de injustiça. Sentimo-nos injustiçados pelo resultado e tentamos procurar uma explicação ou até mesmo provas para nos sentirmos melhor e aceitarmos a situação.

Isto embora seja comum na população em geral, é mais comum e significativo em todos aqueles que tem um locus de controlo e motivação comportamental extrínseco (externo).

Mas mesmo com estes indivíduos, o que não acontece muitas vezes é pensar nas situações em que aconteceu o contrário – não pensar naquelas vitórias onde de alguma forma tudo se alinhou para nós, embora não dependesse apenas do nosso esforço – em que lucramos com a “injustiça” dos outros.

Para terminar, deixo aqui uma pérola de sabedoria retirada do programa de televisão Star Trek (O Caminho das Estrelas em português) – “É possível não cometer erros e ainda assim perder. Não é uma fraqueza, é a vida”.

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