A opinião da psicóloga Rita Limede no LUX24. FOTO © Flávio Älmeida

Como sempre, os meses de verão passaram a voar e estamos de volta à realidade com a entrada em setembro. Este mês é um mês de recomeços, tanto para as crianças e os jovens que iniciam mais um capítulo da sua vida escolar, como para alguns adultos com novos desafios e/ou mudanças profissionais.

O grande desafio para muitos tem sido a transição do teletrabalho ou trabalho remoto para o presencial, havendo muitas empresas que estão a apostar no regime híbrido (dando maior flexibilidade aos seus trabalhadores).

No decorrer dos últimos dois anos, a forma como vimos o trabalho e o impacto que este tem nas nossas vidas foi-se alterando.

O teletrabalho trouxe alguns abusos por parte de entidades patronais, no entanto, ao mesmo tempo, para alguns foi uma forma de aproveitarem e gerirem melhor o seu tempo, proporcionando-lhes um equilíbrio saudável entre a vida pessoal e profissional.

Num mundo ideal, o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional nunca seria colocado em causa e as pessoas apenas trabalhariam as horas estipuladas. Mas infelizmente não vivemos num mundo ideal e esse equilíbrio era – e é – muitas vezes uma utopia.

As boas notícias é que são cada vez mais os trabalhadores que estão a impor as regras e muitos procuram oportunidades onde esse equilíbrio seja a regra.

Afinal, trabalhamos para viver e não vivemos para trabalhar. É uma autêntica revolução de mentalidades que está a ganhar cada vez mais força e apoios.

Mas, tal como todos os movimentos de revolução, há sempre um lado oposto – sendo que neste caso já tem um nome. O “quiet quitting”, ou a demissão silenciosa em português, é o termo criado por vários CEO norte-americanos para descrever o comportamento dos trabalhadores que deixaram de “dar o litro” e passaram a fazer apenas as horas estipuladas nos contratos e as tarefas mínimas que lhes são exigidas.

Em países onde a cultura laboral domina a vida das pessoas e é esperado que se “matem” a trabalhar pela empresa sem garantias de regalias em troca, o facto de as pessoas estarem a querer resgatar o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, foi um golpe duro para os que se habituaram a estar no topo.

A criação de um termo pejorativo como o “quiet quitting” para descrever a reconquista do equilíbrio, só demonstra que as grandes empresas estão a ver o seu modelo de muita exigência em troco de baixa recompensa a desaparecer.

Para bem da saúde mental da maioria de nós, ainda bem que assim é. Abracem o “quiet quitting” e aproveitem a vida! Porque trabalhar é importante, mas há muito mais na vida do que isso.

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