Rita Limede, psicóloga e produtora de eventos musicais, escreve semanalmente aos sábados no LUX24.

A semana passada falei a da importância dos heróis para o desenvolvimento dos mais pequenos (e não só). Hoje, venho dar continuidade ao tema, falando, uma vez mais, da forma como nós percecionamos o sucesso.

O que é o sucesso? O dicionário priberam define sucesso como sendo “resultado positivo, favorável ou proveitoso de algo”, no entanto, a definição socioeconómica do mesmo nos dias em que vivemos hoje é bastante mais limitada que esta. Desde muito cedo que nos é dito que o sucesso é andar na escola, arranjar um bom emprego, constituir família e trabalhar até à reforma nesse mesmo emprego.

Embora não haja nada de errado com esta ideia na teoria, na prática nem sempre é assim que as coisas funcionam. Na prática, as pessoas querem coisas diferentes e aquilo que resulta para alguns pode não resultar para outros.

O sucesso não é uma caixa limitada onde só cabem aqueles que seguem à letra aquilo que a sociedade decidiu há 50 anos atrás como media única de sucesso.

Não há dúvida que as mentalidades entre as novas gerações estão a mudar. Mas será que essa mudança está a ser feita na direção certa? No meu último texto falei da forma como as redes sociais estão a moldar as mentes mais novas e a importância que é dada às mesmas.

As ideias falsas de sucesso fácil e de vidas encenadas criadas por youtubers e influencers dá a entender aos jovens que a escola não é precisa para nada e que o sucesso está ao alcance de todos. É-lhes vendida a ideia que as redes sociais e plataformas como o Youtube ou Twitch são a chave do sucesso fácil.

É imperativo que se encontre um equilíbrio. O primeiro passo para isso é tornar aceitável a ideia de que o sucesso em termos práticos pode ter variadas faces e que não há nada de errado nisso.

Todos nós queremos coisas diferentes da vida, sendo que muitas vezes acabamos por abandonar as nossas próprias ideias e objetivos para nos inserirmos nas expectativas dos outros para o nosso futuro ou para nos encaixarmos na definição quadrada que a sociedade tem de sucesso.

O trabalho dos psicólogos aqui é de extrema importância. Um bom psicólogo tem que preparar as crianças e os jovens para o sucesso escolar, pessoal e profissional. Para que tal aconteça não pode de forma alguma restringir opções desde início ou tentar encaixar as crianças à força para caírem naquilo que é esperado delas.

Por exemplo, não pode agarrar num jovem cujo interesse principal é do foro artístico e encaminhá-lo para as ciências porque os pais querem à força ter um filho médico.

Encaminha um jovem destes para ter sucesso na vida é ajudá-lo a encontrar o curso artístico que melhor vai de encontro aos seus interesses, é falar-lhe das possibilidades e saídas profissionais que existem nesse rumo, é prepará-lo para enfrentar eventuais obstáculos que vai encontrar ao longo desse percurso.

Não é, nem nunca poderá ser, obrigá-lo a aceitar algo que lhe está a ser imposto, sabendo muito bem que este jovem não nutre qualquer interesse relativamente a isso, cujo resultado vai ser descontentamento, ansiedade e desmotivação.

A preparação para o sucesso começa por explicar que nada é conseguido sem esforço ou trabalho. É trabalhar competências para ultrapassar obstáculos e tomar as melhores decisões possíveis tendo em vista o rumo final – desde que realista. Finalmente, também é interiorizar e aceitar a ideia de que todos nós somos capazes de ter sucesso à nossa maneira.

Não é, nem nunca pode ser, querer forçar ou formatar as pessoas para seguir apenas um rumo, igual ao de todos os outros, independentemente dos seus interesses, motivações ou competências.

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