A opinião da psicóloga Rita Limede no LUX24. FOTO © Flávio Älmeida

As aulas arrancaram oficialmente esta semana por Portugal fora. Noutros cantos da Europa, já estão a funcionar há umas semanas, mas há questões que são gerais em todos os lados.

O gosto – ou a falta dele – para a escola e para aprender. Num mundo cada vez mais digital e personalizado para os interesses de cada um, a escola continua a ser, na sua maioria, bastante analógica e homogénea para todos.

A transição para a rotina no início do ano letivo é sempre um reajuste quer para os pais, quer para as crianças, em especial se envolver uma mudança de ciclo e todos os novos desafios que isso vai implicar.

Muitos chegam aos segundo e ao terceiro ciclo já desanimados com a escola e sem grande vontade de aprender coisas novas, encarando-a como algo ao qual têm de sobreviver e fazer os mínimos para passar.

O que podemos então fazer para mitigar estes sentimentos negativos para com a escola?

O papel dos pais e da família é crucial para a relação da criança com a escola e novas aprendizagens. Se os pais mostram interesse pelo percurso escolar dos seus filhos e se preocupam com o que pode não estar a correr bem, tentando arranjar soluções em tempo útil, as probabilidades de estas sentirem um gosto maior pela escola, aumentam.

Assim, a família deve estar atenta e conversar com as crianças sobre a escola, indo além de um simples “como é que correu a escola” o que dá abertura a respostas simples como “bem” que não deixam desenvolver o tema.

Desta forma, deixo aqui sugestões de perguntas sobre a escola que sirvam como base para uma conversa mais aprofundada:

– Diz-me duas coisas boas que tenham acontecido hoje;

– De tudo o que aprendeste, qual foi a coisa que achaste mais interessante;

– Que brincadeiras é que fizeste hoje com os teus colegas no intervalo;

– Diz-me o que menos gostas na escola;

Ao introduzir estes tópicos em conversa com as crianças, estamos a dar-lhes abertura para se sentirem seguros em falar sobre o que se passa na escola, as suas dificuldades e as coisas que os entusiasmam.

Deste modo, conseguimos que se sintam confiantes para ultrapassar as suas dificuldades, compreender que há sempre coisas positivas e menos positivas que podem acontecer, não deixando que isso influencie negativamente a sua imagem da escola, tornando-os mais motivados para novas aprendizagens.

Por fim, importa salientar que, a escola precisa de ser trazida para o século XXI, e que muitos dos métodos utilizados já se encontram desfasados com a realidade das crianças e jovens, bem como dos seus interesses.

No entanto, enquanto tal não acontece, cabe à família ajudar as crianças a sentirem-se motivadas para as novas aprendizagens, fazendo-as aproveitar ao máximo todas as oportunidades que advêm do seu percurso escolar.

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