A poesia erótica e intimista de Vera S.H. Cidade no LUX24.

Quem sou ?

 

Dez, vinte, cinquenta, trezentos ?

quantos homens passaram pela minha cama ?

para que queres saber ?

isso não te diz nada de mim

quantos fodi

ou se foram eles que me foderam !

quantos amei ou simplesmente consumi

a quantos cedi sem tesão

isso diz-te quem sou ?

 

Fica a saber que eu

não fodo sem vontade

nem amo sem verdade

e que na minha cama só se deita comigo quem eu decido

quem eu quero e desejo.

Como assim uma mulher não pode falar assim

quem és tu para ditares que eu não posso falar por mim ?

A mulher só pode falar de amor e sentimentos

o homem esse pode encher a boca de sexo e evanecimentos ?

 

Pois eu quero correr nua colina abaixo

dançando vestida de vento e descabelada

rebolar na erva fresca da manhã

extasiada e bêbada de liberdade

apaixonada ou devastada

falar louca com as flores

que me quiserem responder

chamar despassarada os pássaros

para me virem cantar no peito

rir à gargalhada, chorar, sonhar

ansiar e desejar tudo a que tenho direito

deixar-me maravilhar pelas cores todas

das asas das borboletas no céu aberto de julho.

 

E nesse mesmo instante

reivindico querer fugir ao tempo

e poder deixar correr as minhas mãos acesas

pelos meus cabelos, pelos meus lábios

até à minha barriga e às minhas coxas candentes

e masturbar-me com a urgência dos anjos aflitos

até nardos de mim me virem

várias vezes

as vezes que eu quiser

solipsar quando e com quem me apetecer.

 

Esta sou eu

porque lutei para ser assim

porque conquistei este lugar

de poder ser finalmente eu

eu sou esta

que tens à tua frente

esta é quem eu sou !

 

Vera Cidade

4jan22

 

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