UM GRITO À VIDA

Quando vim ao mundo era primavera…
Altura da terra abrir o ventre e de toda a semente
germinar…
As searas ondularem ao vento, e o tempo…
A tornar-se doce e ameno… E lá no céu, a luz do luar
com um brilho mais intenso! Tudo se renova na primavera.
Há uma nova madrugada de renascimentos…
Foi na primavera que nasci… Será por isso que me renovo
a cada dia… Posso cair num dia, mas no outro…
Já tenho estampado no meu rosto,
que quero agarrar os meus dias com alegria!…

As andorinhas começam a chegar
as flores a brotar, numa bela profusão de cores
numa policromia que nos acende a alma.
A tarde cai calma… E os brotos
abrem-se em flor, esses rebentos sagrados…
Os ribeiros correm nas margens, amansados,
e as águas brilham como prata, como cristais
há uma intensa profusão de verde e folhagens
pelos pinhais…
No mês de março nasci…. Não me apercebi logo
da escuridão e da Luz do Mundo.
E foi já há algum tempo que eu vi tudo…
De algum desse tempo já lhe perdi a noção,
os matizes… Mas de um outro não!…
Está bem gravado em mim, no meu coração
o tempo em que nasci e me fiz gente!…

Todos nascemos de um grito profundo.
É com esse grito que entramos no mundo,
é o grito de rasgar a vida… De nascer…
Aquele grito perplexo e angustiado
Exaltado, e ansioso, extasiado… Maravilhado
Com que abraçamos este belo e desigual…
Mundo!

AUTORIA: ISABEL TAVARES

(© Todos os Direitos de Autor Reservados)
Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos – Decreto-Lei n.º 63/85, de 14 de março – Diário da República n.º 61, Série I, de 14.03.1985 –

Isabel Tavares, poetisa, escreve semanalmente, às segundas, no LUX24.
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