A opinião de Paulo Pisco, Deputado do PS eleito pelo Círculo da Europa, no LUX24

A manifestação agressiva que um grupito de negacionistas fez recentemente contra as vacinas diante do centro de vacinação em Odivelas devia envergonhar-nos a todos, pela falta de razoabilidade, espírito totalitário e aversão à evidência científica que revela.

O mundo está ainda a fazer tudo para evitar o alastramento do covid-19 e a ciência tem trabalhado incansavelmente para tornar as vacinas mais eficazes. Aquela manifestação, e outras com propósitos idênticos, em Portugal ou no estrangeiro, são um insulto à ciência e aos mais de duzentos anos de investigação em vacinas. É um insulto aos milhões de pessoas que foram salvas porque foram imunizadas de doenças que mesmo assim ceifaram milhões de vidas, como a gripe, varíola, rubéola, tétano, tuberculose, difteria, sarampo, poliomielite e outras.

Em Portugal, atingiu-se o número de um milhão de infetados e quase 18.000 pessoas morreram, todas elas familiares de alguém. No mundo, mais de 220 milhões de pessoas já foram infetadas e mais de 4 milhões e seiscentas mil já morreram. Diariamente estão ainda a morrer milhares de pessoas com o vírus e muitos milhões já passaram pelas unidades de cuidados intensivos, ficando muitas com sequelas duradouras.

Os serviços de saúde em imensos países chegaram a pontos de saturação causando muita angústia e ansiedade. Estamos agora todos um pouco mais aliviados, precisamente porque a vacinação em massa tem demonstrado a sua eficácia, porque tem salvo milhares de vidas.

Os governos têm feito tudo o que está ao seu alcance para tentar salvar vidas e dar ânimo à economia, que tem sofrido a um nível nunca visto.

Mas, mesmo assim, continua a haver indivíduos que se acham iluminados e no direito de atacar quem tudo tem feito para salvar vidas. Em Portugal, devemos prestar homenagem ao vice-almirante Gouveia e Melo e a toda a sua equipa e aos profissionais de saúde, que merecem o respeito e reconhecimento de todos, precisamente porque estão absolutamente empenhados em salvar vidas, muitas das quais se perdem precisamente porque ainda há quem negue a pandemia ou seja contra a vacinação.

Os negacionistas têm direito, claro, à sua opinião, mas não de a impor aos outros. Ao contrário do que possam pensar, não têm o privilégio da iluminação nem tão pouco a sua opinião é a verdade. A emergência sanitária continua a existir e é a pandemia que mata, sobretudo quem não está vacinado. É da mais elementar ingenuidade acreditar em teorias obscuras e sem origem determinada que colocam a vacinação como parte de uma conspiração para dominar o mundo.

Num contexto ainda dramático como o atual, não deixa de ser patético ver alguns grupos insignificantes de indivíduos que acham que têm mais razão que toda a comunidade científica mundial, que os médicos e especialistas em todos os países e continentes, como se houvesse uma grande conspiração global, que junta os governos do mundo, o Papa em Roma e os líderes das outras religiões e algumas empresas importantes.

São certamente pessoas que se calhar apenas têm o Facebook como fonte de informação, porque, no seu delírio, deixaram de acreditar em tudo menos nos fantasmas que as informam. Muitas delas, como tem sido frequentemente noticiado, ligadas a movimentos de extrema-direita, apostados que estão em contestar de forma cega todo o que seja do sistema.

Essas manifestações, sim, é que são revoltantes, por criarem a ideia que as pessoas não se devem imunizar contra o vírus, mesmo sendo evidente que a pandemia tem virado do avesso as nossas sociedades e a vida de milhões de pessoas.

O negacionismo, tal como o extremismo de direita, é um vírus terrível que corrói as democracias e não pode ser deixado à solta. Precisa de ser combatido para evitar que se propague. Sem tréguas!

Paulo Pisco,

Deputado do PS

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