A opinião de Paulo Pisco, Deputado do PS eleito pelo Círculo da Europa, no LUX24

A tomada de posse de Joe Biden como o 46º Presidente dos Estados Unidos da América é o acontecimento político mais importante à escala global.

Marca uma viragem na tensão, no confronto e na incerteza deixadas pelo seu antecessor. O mundo fica apaziguado. E estava a precisar disso.

E Kamala Harris faz parte da esperança e da mudança, a primeira mulher a ocupar o segundo lugar mais relevante da política americana. É assim. Os Democratas são progressistas e inclusivos, como se vê pela diversidade no seu governo.

Enquanto decorria a cerimónia no Capitólio, o Primeiro-Ministro António Costa fazia no Parlamento Europeu também um excelente discurso sobre a presidência portuguesa da União Europeia, muito claro e abrangente, em que não se esqueceu de desejar o maior sucesso a Joe Biden.

Lady Gaga e Jennifer Lopez cantaram a América e levaram símbolos de paz. O mundo de olhos postos nos Estados Unidos, como sempre.

Joe Biden fez um veemente apelo à unidade e reconciliação da América. Falou de humildade, de honra, de respeito, de verdade, de esperança. Deitou água no fogo e na fúria que o país viveu nos últimos tempos. E apelou à defesa intransigente da democracia, “que é preciosa e frágil”, como disse.

No seu discurso havia simpatia, humanismo e, acima de tudo, uma ética. Teve um espírito de conciliação que jamais poderia sair das palavras de Trump. Biden apelou a que os americanos fossem uns pelos outros e não uns contra os outros. Apelou a que cada um tivesse capacidade para se pôr no lugar dos outros. Para que todos se compreendam e se aceitem mais facilmente. E disse que seria o Presidente de todos os americanos.

A força de todos é fundamental para vencer os desafios que a pandemia coloca e da profunda crise económica e social que criou. Falou das feridas que a crise pandémica abriu e lembrou as suas vítimas. E, no meio do discurso, pediu um minuto de silêncio. Mostrou respeito e apelou ao respeito, coisa que Trump nunca teve nem terá, nem pelas pessoas nem pelos valores, nem pelas instituições.

Joe Biden apelou aos sentimentos e à empatia, algo completamente impossível para um narcisista radical como Trump. A América viveu o trauma de uma tentativa de golpe, mas sobreviveu e, talvez, tenha saído mais forte.

O ataque ao Capitólio foi um forte aviso para as democracias de todo o mundo, atacadas pelos populismos, que minam as sociedades e destroem a coesão e a convivência social. Se o espetáculo degradante do assalto à democracia americana foi possível, pode acontecer em qualquer outra parte do mundo onde uma qualquer personalidade doentia use o nome do povo para atacar e enfraquecer os poderes democráticos estabelecidos.

A democracia faz-se com decência, solidariedade, respeito, justiça, verdade. Faz-se pela inclusão. É preciso que a maior democracia do mundo seja um exemplo. É preciso que se comprometa com o mundo e os seus grandes desafios, como as migrações, o clima, a paz.

É fundamental que a América esteja com todos e não contra todos.
Good luck Mr Presidente!

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