Silvina Queiroz, professora, escreve semanalmente às quartas no LUX24.
Silvina Queiroz, professora.

Bom dia, amigos no Lux. Escrevo hoje, porque não podia deixar de o fazer, sobre um assunto “aqui do burgo”, que me causou elevada perplexidade e desgosto.

Dou de barato não estar de posse de toda a informação sobre o caso, já que apenas conheço o veiculado pela comunicação social.

Então: Uma associação de emigrantes portugueses em França, mais propriamente em Nogent-Sur-Marne, sensibilizados pela tragédia dos incêndios florestais de 2017, pôs mãos à obra e envolveu a comunidade e o município, no sentido de angariação de fundos para aquisição e transporte de árvores, a serem plantadas em Portugal, ajudando pois a necessidade urgente de reflorestação do País.

Conseguiram, com o seu esforço dedicado, adquirir 32.000 pinheiros marítimos, tendo informado a Câmara Municipal da Figueira da Foz, em devido tempo. Tanto é que, há poucos dias, um vereador figueirense esteve na cerimónia simbólica de entrega de uma das árvores adquiridas.

Veio uma comitiva de portugueses e luso-descendentes da citada comuna francesa até à Figueira da Foz, com a intenção de plantar árvores na zona da Lagoa da Vela, na freguesia de Bom Sucesso.

Em vão! Quando chegados, foi-lhes transmitido que o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas não permitia o plantio na área em causa, por esta integrar a Rede Natura e não haver certificado de autenticidade, passado em Portugal. Sim, existe certificado e foi entregue ao Sr. Presidente da Câmara, mas passado em França! Alguém esteve muito mal neste imbróglio e não foram, certamente, os nossos concidadãos em Nogent-Sur-Marne.

O que se passou é ainda (talvez sempre seja!), no mínimo nebuloso. Sabemos como é lamentavelmente dura e inflexível a mão da burocracia lusa. Sabemos que os regulamentos impedem a plantação de espécies não autóctones nas zonas classificadas.

Não sabemos se as árvores adquiridas e generosamente ofertadas, são pinheiros marítimos “comuns” – estes existem também em França – ou se pinheiro francês, uma espécie muito disseminada na costa meridional francesa.

Seja o que for! Penso que deveria a Câmara Municipal ter-se informado de todas as nuances do “problema”, de modo a evitar ou contornar constrangimentos, impedindo o que aconteceu: uma tremenda decepção, nas palavras do presidente da Associação Estrelas do Mar, um conterrâneo da vizinha Marinha das Ondas.

Que equívoco lastimoso! Esperemos que este triste episódio não retire a estes nossos concidadãos a vontade de serem solidários. E que os pinheiros entretanto trazidos para Portugal, possam ser rapidamente plantados, contribuindo para o incremento do património arbóreo tão depauperado. Chega de eucaliptos a rebentarem por tudo quanto é lado, sem controlo. Com isto deveria o ICNF preocupar-se vivamente. Tudo de bom para vós.

Um abraço forte e sempre “verde”, porque a Natureza é nossa mãe amorosa.

*Silvina Queiroz, professora, escreve semanalmente às quartas no LUX24.

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