Miguel Torres, Software Developer e Gestor de Dados, escreve semanalmente aos domingos no LUX24.

Esta semana realizou-se um debate com todos os líderes dos partidos britânicos com um único tema, as Alterações Climáticas. Para a maioria das pessoas em Portugal isto parecerá estranho, mas este assunto é realmente importante, ainda mais do que aqueles que foram discutidos no famoso debate entre os líderes dos partidos pequenos em Portugal.

Parece estúpido comparar um urso polar a morrer afogado no Ártico com o senhor que fez boicote ao seu próprio evento de campanha na Feira do Relógio porque a comunicação social não lhe dava destaque, ou comparar o koala que não conseguiu sobreviver aos incêndios na Austrália, com a luta por ser o melhor chefe de família que vai à missa em vez de fazer campanha.

É que ninguém em Portugal deverá conhecer um único urso polar que tenha morrido afogado. Nem mesmo a esquerda verde de Joacine Katar Moreira, já que os ursos são brancos e por isso não são importantes para a sua agenda identitária. E koalas, como sabemos são da Austrália, e como diz o velho provérbio, da Austrália nem bons eucaliptos nem bons koalas.

Mas aqui no Reino Unido já se percebeu que este é o maior desafio que a humanidade enfrenta em vários séculos. Parece algo remoto que só sucede com animaizinhos peludos mas na realidade está aqui a bater à porta. Os incêndios florestais estão a tornar-se cada vez mais frequentes e mortíferos, eventos extremos de chuva e inundações são mais constantes, alternando com períodos de seca extrema por mais estranho que possa parecer. Tudo isto tem consequências a nível económico e social.

Portugal até tem um manancial de partidos que se assumem como ambientalistas mas nenhum deles o é realmente. Um é da Natureza, mas é sobretudo dos animais e preocupa-se mais com serviços de veterinária do que com a extinção dos rinocerontes por causa da medicina tradicional chinesa (que eles próprios defendem), outro apenas serve para que a palavra COMUNISTA não apareça no boletim de voto (mas azar, que também existe o PCTP-MRPP por isso a palavra aparece na mesma) e, o terceiro, até foi criado com boas intenções mas passou a ser um partido focado apenas numa área, a identitária e sem qualquer vontade de discutir qualquer problema que não esteja relacionado com minorias.

Curiosamente nenhum deles defende que se discuta, por exemplo, a energia nuclear, que pode ser uma ajuda pragmática para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa.

Mas voltando ao debate britânico, foi interessante ver políticos discutirem este problema. Pelo menos serviu para que eles se preparassem e estudassem o assunto em profundidade. Mas nem todos…

Boris Johnson e Nigel Farage não quiseram participar, demonstrando a sua inépcia em preparar o futuro. Aliás, eles até podiam ter um trunfo na manga, como defendem o Brexit e o Brexit levará a uma desaceleração da economia, com essa desaceleração haverá menos consumo energético e menos emissões de dióxido de carbono.

Por isso, a curto prazo, destruindo o país estariam a salvar o planeta (apesar de ser uma forma muito parva de o fazer).

Mas nem assim apareceram. Nos seus lugares foram colocadas duas esculturas de gelo a derreter durante o programa, só faltou o jornalista perguntar coisas ao gelo, que por certo dariam respostas bem melhores do que os políticos que não apareceram.

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