Silvina Queiroz, professora, escreve semanalmente às quartas no LUX24.

Voltando a falar de efemérides, há-as todos os dias, naturalmente, mas nem todas nos tocam de igual modo, o que é também natural e óbvio. Esta semana, começada no domingo, sim – diz-nos muito.

Enquanto seres humanos compassivos e respeitadores da Natureza e suas maravilhas, enquanto cidadãos deste pedacinho belo chamado Portugal.

No primeiro dia, 4 de Outubro, comemorou-se o Dia Mundial do Animal e tal data não é de modo nenhum insignificante. Lembremos o grande Mahtma Gandhi a respeito do amor aos animais e o que esse sentimento diz sobre quem o abriga: “ A grandeza de uma nação pode ser julgada pelo modo como os seus animais são tratados.” Verdade incontornável! Quem ama os bichos, percebe e subscreve. E o dia deles é afinal todos os dias. E nada nos ficam devendo, nunca. Não o podemos esquecer.

No mesmo dia 4, celebraram-se 110 anos da Proclamação da República, em Loures, no dia anterior à vitória dos republicanos, o feriado de 5 de Outubro. Feriado que já não o foi, por decisão incompreensível, inaceitável e revoltante de um Governo, há bem pouco tempo atrás.

E se de novo esta data é respeitada como dia feriado, foi porque um partido político, o PCP, nunca se conformando com esta “enormidade”, conseguiu ver aprovada em sede de Assembleia de República, a reversão dos feriados roubados e a sua devolução aos trabalhadores, vilipendiados por mais esta medida.

Como é que alguém tem uma ideia destas, retirando dignidade a datas tão significativas como a derrota da monarquia abusadora sobre o País e a Restauração da nossa independência, celebrada a 1 de Dezembro?! Só mesmo quem se está borrifando para a soberania do País! Na passada segunda, vivemos de novo a alegria republicana.

Recordámos o discurso inflamado de José Relvas, proclamando a República a partir da varanda dos Paços de Concelho de Lisboa. Uma vez mais me ocorreu a tragédia de Cândido dos Reis, o almirante que a minha cidade lembra na sua toponímia. Este, angustiado com a possibilidade real de fracasso da revolução em marcha, despede-se dos seus companheiros militares e acaba cometendo suicídio, poucas horas antes do triunfo dos revolucionários republicanos. Um desperdício, uma perda irreparável!

Amanhã, dia 8 de outubro, será outro dia “grande”: o dia em que se celebram 32 anos sobre a entrega do maior prémio literário, o Nobel da Literatura, a um escritor de Língua Portuguesa, José Saramago.

Um escritor brilhante, um ser humano de excelência, um Português orgulhoso das suas raízes, nacionais e familiares. Saramago, nome de uma singela planta silvestre, familiar da nabiça e do rabanete que, em temos de agrura, matou a fome a muitos nesta terra tantas vezes de desencanto!

Saramago era a alcunha da família do menino José e este a adoptou como apelido. Sempre humilde, sempre fiel à sua humilde origem. Do maravilhoso discurso que proferiu em Oslo, aquando da entrega do galardão, falaremos um dia destes. Uma peça emotiva, belíssima, na qual lembra de novo o quão pobre nasceu e o amor à sua Azinhaga natal, terrinha pequena, também ela humilíssima e que hoje exibe uma bela estátua do seu filho maior, inaugurada pelo próprio em 2009.

É ou não é uma semana de truz?

Amigos, fiquem bem. Sejam felizes.

Um abraço muito sincero, republicano. SQ

Publicidade
Falhas, erros, imprecisões, sugestões?
Por favor fale connosco.
Publicidade