Miguel Torres, Software Developer e Gestor de Dados

Há 25 anos na localidade de Srebrenica na Bósnia-Herzegovina estava a decorrer um genocídio. E, tal como outros genocídios, anos depois surgem pessoas que tentam criar teorias de que eles não aconteceram de facto.

A História de Srebrenica é simples e complexa. A Bósnia-Herzegovina num referendo decidiu optar pela independência da Jugoslávia, algo que não foi aceite pelos sérvios aí residentes que boicotaram o referendo e, apoiados pela Sérvia decidiram combater. A guerra tornou-se inevitável num país dividido por três grupos étnicos: sérvios, croatas e bosniaks.

Mas, no fundo apenas, de tratam de pessoas com as mesmas origens eslavas que professam três religiões diferentes: ortodoxos no primeiro caso, católicos no segundo e muçulmanos no terceiro.

E, como os croatas e sérvios eram apoiados pelos dois países vizinhos, os bosniaks acabaram por ficar à mercê dos restantes grupos, mesmo estando em maioria. Na zona Nordeste do país, os sérvios iam conquistando aldeia atrás de aldeia expulsando os muçulmanos das suas casas.

Uns eram assassinados e outros fugiam para aldeias vizinhas, até que deixaram de existir aldeias vizinhas restando apenas Srebrenica, para onde num certo ponto migrou a um grande número de bosniaks da região e onde se situava o último reduto do seu exército na área.

Daí desferiam ataques para as aldeias vizinhas, matando também muitos civis sérvios. Para precaver um ataque final sérvio, as Nações Unidas declararam Srebrenica uma Zona de Segurança protegida por capacetes azuis. Passaram-se meses, dois anos e a situação tornou-se insustentável, com o cerco sérvio a impedir o abastecimento de comida à cidade e mesmo as forças da ONU ficaram com poucas reservas de combustível e alimentação.

Deste modo, o exército sérvio da Bósnia conseguiu capturar Srebrenica sem oposição, nem da ONU, nem do exército Bósnio e optou pelo genocídio de 8.000 pessoas, maioritariamente do sexo masculino.

Acabou por ser este massacre a motivar a reacção da comunidade internacional, levando de várias derrotas sérvias até que todos decidiram chegar a um acordo.

Um acordo que criou um país de características únicas, com 3 presidentes ao mesmo tempo, um de cada grupo étnico e dividido em 2 áreas quase completamente independentes (A Federação da Bósnia e Herzegovina com croatas e bosniaks e a República Sprska com os sérvios). Curiosamente Srebrenica faz hoje parte da República Srprska.

A Bósnia-Herzegovina é hoje um exemplo vivo das consequências do extremismo religioso e do nacionalismo. Qual é o problema de pessoas de diferentes religiões viverem juntas sem se matarem umas às outras? Para quê matar pessoas só porque elas têm algo diferente?

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