Silvina Queiroz, professora, escreve semanalmente às quartas no LUX24.

Escrevo acabada de chegar de uma sentida romagem ao maior cemitério da minha cidade de adopção e coração, a Figueira da Foz. Uma iniciativa replicada em muitos locais do nosso País e inserida nas comemorações do 100º Centenário do Partido Comunista Português.

Ali estivemos prestando homenagem aos “caídos na luta”, aos valorosos lutadores comunistas que dedicaram muito da sua vida ao combate à besta fascista que oprimiu a nossa terra e a as nossas gentes ao longo de quarenta e oito anos.

Figura ímpar foi Agostinho Saboga, a figura maior nesta homenagem. Este homem admirável viveu quatorze anos nos cárceres do regime, tendo saído com a sua saúde absolutamente destroçada pelos maus tratos ali sofridos para falecer pouco depois, em 1971, com sessenta e dois anos de idade. Não chegou a ver a manhã radiosa de Abril de 1974 mas os seus companheiros não o esqueceram.

O Centro de Trabalho do PCP na cidade foi baptizado com o seu nome. Aí continuam a trabalhar os seus companheiros. Aí se preparam as iniciativas do próximo sábado, dia grande deste 2021.

Completam-se 100 anos do Partido Comunista Português, “nascido” a 6 de Março de 1921.

A República dava então já mostras de muitas fragilidades e de infelizes desvios. Os trabalhadores eram o “bombo da festa”, cada vez mais cerceados nos seus direitos.

O PCP toma assim a vanguarda da luta dos mais fragilizados e explorados. A 28 de Maio de 1928 acontece o golpe contrarrevolucionário de inspiração fascista e o PCP passa à clandestinidade.

Diria que desde o seu início, “profetas das trevas” entretiveram-se a “prever” o seu desaparecimento! Desejos ardentes sem dúvida mas não correspondidos na realidade. O PCP é um osso duro de roer e desenganem-se os que ainda continuam nessa senda “profética”.

Cem anos é muito ano, nem metade disso tem de longevidade o partido que se lhe segue em antiguidade. É obra!

Passar quarenta e oito anos na clandestinidade, continuando a recrutar e a distribuir a sua imprensa, no meio dos maiores perigos, não é para qualquer mortal. São precisas muita fibra e coragem para conseguir tais façanhas.

No sábado, respeitando todas as indicações da Direcção Geral de Saúde, estarei com os meus camaradas e amigos na rua, frente à nossa sede, recentemente adquirida. Outra conquista que fala alto da força dos comunistas no ultrapassar de dificuldades.

Cantaremos a plenos pulmões o nosso Hino, A Internacional, o Avante Camarada e o O Hino Nacional. Agora que tanto se fala de resiliência, olhai para os bons exemplos.

Cem anos de história e de estórias mas o PCP tem ainda mais Futuro do que o que já está escrito nos livros.

Um Futuro de progresso social para todos e de Justiça também.

Um abraço muito fraterno. SQ

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