Miguel Torres, Software Developer e Gestor de Dados, escreve semanalmente às sextas no LUX24.

Para quem tem a sorte de não saber o que é o Reiki, vou dar uma explicação curta. O Reiki é uma pseudociência (palavra que significa “treta” em português corrente) que se baseia no QI, uma força cósmica associada ao conceito de energia. Esta força não tem qualquer evidência científica já que a energia conhecida pela ciência é bem quantificável, caso contrário poderíamos sempre pedir à EDP para rever aquela conta de 120 euros por não estar de acordo com as forças cósmicas.

O Reiki da ciência é, sem dúvida, o nacionalismo. O nacionalismo é uma pseudoideologia (o que significa “treta perigosa” em português corrente) que se baseia na pátria, uma força identitária associada ao conceito de país. Mas não existe qualquer evidência científica que existe uma força real capaz de nos fazer sentir orgulho por ter uma determinada nacionalidade.

Os países são construções humanas. Todas as fronteiras do mundo resultaram de acordos entre grupos de pessoas, muitas vezes depois de guerras parvas.

Vamos então escolher um país ao calhas para demonstrar que o nacionalismo não faz sentido. Após um pequeno sorteio, calhou Portugal! Que sorte, ainda bem, porque conheço bastante bem este país.

Pois bem, quem é que acredita que D. Afonso Henriques andou à pancada com a sua mãe na Batalha de S. Mamede para que em 2006 ganhássemos o Europeu de futebol? Nada mais errado, até porque o pai dele era Francês e o pobre Afonso não quereria fazer tamanha desfeita ao seu falecido progenitor.

Afonso Henriques travou essa batalha porque preferia ser Rei a um simples Conde que presta vassalagem ao Rei de Leão. Ele fez isso porque o título de Rei é bem mais pomposo do que Conde, não foi a pensar no povo português. E se depois expandiu um território para Sul foi porque tinha muito mais piada ter um país com maiores dimensões do que um território do tamanho do Luxemburgo. Não foi a pensar nas força da pátria lusitana.

Porque haveremos nós de ter orgulho num senhor que estava apenas a fazer um trabalho que consistia em decepar cabeças e em enfiar espadas pelo torso de magrebinos? Devemos é ter orgulho no que fazemos quando fazemos bem. O mesmo se aplica à vergonha. Não temos que sentir vergonha por portugueses terem andado a transportar escravos de África para o Brasil. Não fomos nós, foram uns senhores que ganhavam dinheiro com essas práticas.

Quem vota no PNR ou no Chega por vezes devia pensar nisto. E quem põe bandeiras nos comícios. E quem faz petições contra bandeiras nos comícios. Para quê estas polémicas com bandeiras? Bandeiras são apenas símbolos criados por designers a quem foi encomendada essa tarefa.

Não há qualquer força incógnita por detrás das bandeiras. São pedaços de pano que até nem são os ideais para limpar o pó, porque aquilo não absorve nada.

Portanto senhores nacionalistas, acordem para a vida e deixem-se de tretas. E se gostam mesmo mesmo de tretas, dediquem-se antes ao Reiki, que aquilo também tem lá as forças e energias e não provoca tantas mortes.

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