Silvina Queiroz, professora, escreve semanalmente às quartas no LUX24.

Olá. Saúde, paz e afastamento de “espíritos malignos”! Não falo de “almas penadas”, fantasmas e coisas assim! Falo de pessoas vivas mesmo, demasiado vivas porque o seu coração, repleto de rancores, preconceitos e maldade genuína, as impelem a praticar o mal contra o seu semelhante e contra a Natureza, sem pejos, remorsos ou qualquer tipo de hesitação.

Trago hoje ao nosso espaço episódios recentes demonstrativos desta triste realidade que nos assola e ensombra todos os amantes da Paz e da Justiça. Há dois dias, o helicóptero em que viajava Evo Morales, presidente da Bolívia, teve uma falha técnica que obrigou a uma aterragem de emergência. Este incidente será devidamente investigado, promete a justiça boliviana.

É que este incidente pode não ser tão casual e inocente assim. Acontece depois de confirmadas provas de tentativas de extermínio do presidente, no passado recente e no quadro de convulsão que a oposição máquina após a reeleição de Morales em 20 de Outubro.

Em 2014, circularam boatos da sua morte a poucos dias do acto eleitoral, numa desesperada tentativa de impedir que o povo boliviano, que o apoiava e apoia, votasse no seu candidato! Tudo muito estranho ou, pelo contrário, manifestamente claro!

Morales é descendente de índios, é um “pele vermelha” como a maioria dos bolivianos o é. Indígenas que conquistaram a sua independência do governo espanhol há quase dois séculos e que não pretendem perdê-la nunca mais.

Indígenas que defenderam a sua terra com “unhas e dentes”, como os muito poucos seus irmãos do Brasil procuram defender o seu património ancestral, a grande Amazónia e as suas terras.

Por tal pretensão, foi há poucos dias assassinado um dos seus líderes na região de Arariboia, estado de Maranhão.

Emboscados por cinco madeireiros armados, Paulo Paulino, pertencente à tribo Guarajajara, foi morto e ficou ferido outro líder que conseguiu escapar à sanha dos malvados. Morreu um dos assaltantes, paz à sua alma!

Paulo Paulino – FOTO DR

 

A Amazónia era, ainda é, apesar da destruição massiva, “o pulmão do Mundo” e pertença da Humanidade por essa razão mesmo. É urgente defendê-la e defender os seus habitantes naturais, quase exterminados pelo invasor branco! Triste e vergonhoso!

Moro, (o juiz Moro cujas façanhas conhecemos), prometeu investigar o assassinato!!! Será muito bem tratado o caso, concluo! Investigado já está sendo pelo governo do Maranhão e seu 63º Governador, Flávio Dino, do PC do B (Partido Comunista do Brasil).

O preconceito mata mesmo, como matou Marielle Franco em 14 de Março do ano transacto.  Mulher, que havia “voado” mais além dos tachos da cozinha, feminista, declaradamente de esquerda, lésbica, tinha todos os ingredientes para “provocar” os assassinos, que, está ficando mais do que provado, tinham ligações próximas a Bolsonaro! E mais não digo nem preciso! Um dia falaremos mais de Marielle, ela merece-o.

Em 29 de Outubro subiu ao Plenário do Parlamento Europeu uma proposta que instava os Estados Membros a reforçar as suas acções de busca e salvamento de migrantes no Mar Mediterrâneo. Foi esta proposta rejeitada por dois miseráveis votos, dois infames votos. Para nossa vergonha votaram contra dois portugueses, Nuno Melo do CDS e Álvaro Amaro do PSD. Absteve-se (!!!) José Manuel Fernandes, também do PSD.

Vêm agora, depois do impacto que a notícia teve nos mais variados círculos, com esfarrapadas desculpas, desculpas que deveriam acrescentar vergonha à vergonha que não têm. Que não são contra as operações no Mediterrâneo mas que a proposta não distinguia refugiados de migrantes económicos.

O quê! Os migrantes económicos não atravessam o mar em barcaças frágeis, viajam em aviões de luxo. Que o confirmem aqueles a quem estes senhores e seus apaniguados deram Vistos Gold, lembram-se desta outra vergonha? Lembram, certamente. E eu pergunto-me angustiada: Porquê tanta maldade, porquê?

A mesma maldade que leva ao tráfico de seres humanos, tendo sido preso, há poucos dias, o maior traficante mundial, de seu nome Saifal Al- Mamum, natural do Bangladesh. Com a sua prisão foram congeladas 42 contas bancárias que se destinavam a actividades ilegais e criminosas. Não foi por ter Al no nome e ser oriundo da Ásia que o tipo fez o que fez, foi por ser um traste acabado mesmo!

Um traste igual aos que diariamente matam (ainda) 50 elefantes, para venda das suas magníficas presas. Gente malvada, sem escrúpulos nem ponta de sensibilidade, vivendo para servir o lucro e dele se servir.

Restam-nos os que prezam a Paz, o equilíbrio e saúde da Natureza, nossa Mãe, os que amam a Solidariedade. E continuamos, apesar de tudo a ser muitos, não somos?

Fiquem bem, fiquem felizes e esperançosos num Mundo onde venham a prevalecer os Valores Humanos. assim, com letra deliberadamente maiúscula. Um forte abraço. SQ

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