Rui Curado Silva, investigador em Física, escreve quinzenalmente às segundas no LUX24.

Há cerca de dois anos, no grupo de Facebook intitulado Figueira da Foz Política no Concelho infiltrou-se uma personagem fictícia animada por um apoiante do PNR e de Vladimir Putin que se travestia de uma Vera Correia, representada por uma foto de uma jovem com um claro intuito de atrair o incauto facebookiano do sexo masculino. A Vera Correia apresentava-se orgulhosamente vestida uma t-shirt “I love Putin”, e publicava notícias ainda mais falsas do que ela própria.

Provavelmente o mesmo indivíduo vestiu recentemente a saia de uma Regina Malu. É sempre enternecedor descobrir apoiantes de extrema-direita, homófobos, na calada do seu covil e atrás do seu teclado, travestirem-se de mulher. Vão no bom caminho, estão a humanizar-se a pouco e pouco.

Obviamente, mais uma vez, o objetivo é atrair para a causa os facebookianos mais solitários utilizando o poder das hormonas virtuais.

O Regino Malu, tal como fazia o Vero Correia, propaga ideias xenófobas, a violência, o terrorismo de extrema-direita de algumas claques de futebol e manifesta apoio a todos os líderes políticos da constelação autoritária de que fazem parte Trump, Putin e Ventura.

O Regino infiltrou-se num grupo intitulado Amigos da Figueira, dedicado à cidade e aos figueirenses. Na pacatez da troca de mensagens e fotografias sobre curiosidades e assuntos da cidade, surge uma publicação xenófoba ou um apelo a uma personagem fascista.

Por vezes a publicação é mais explícita e recebe pouca confiança, por vezes a publicação é mais velada e recebe algumas reações dos menos atentos. Este procedimento tem-se verificado nos grupos de outras cidades das redes sociais.

É notório que existe um padrão organizado deste tipo de personagens supostamente femininas de chegar a grupos menos vocacionados para a política frequentado por internautas menos politizados, para ir fazendo passar ideias xenófobas entre os pingos da chuva, de uma forma supostamente desinteressada e discreta.

Não estamos muito longe das táticas utilizadas nas redes sociais pelos apoiantes do Brexit ou dos peões de Putin que ajudaram a eleger Trump.

Se queremos uma sociedade que não seja moldada por notícias e personagens falsas e intoxicada por ideias baseadas no ódio ao semelhante, é imperativo identificar e denunciar estes fenómenos.

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