Miguel Silva, psicólogo, escreve semanalmente às terças no LUX24

O confinamento que se tem vivido nos últimos tempos está a provocar impactos diferentes para a saúde das pessoas. Quando falamos em saúde é importante refletir na dimensão em que esta palavra se encontra.

Segundo a Organização Mundial de saúde (OMS), este termo é definido como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente ausência de uma doença.”

Assim, a saúde mental apresenta-se como um estado de bem-estar em que cada pessoa explora e realiza o seu próprio potencial, torna-se um ser mais longânimo face às dificuldades normativas da vida, consegue trabalhar de forma produtiva e frutífera e, concomitantemente, ser capaz de contribuir para a sua comunidade.

Então, será o bem-estar um dos “pilares” da saúde mental?

Se tivermos em linha de conta que os fatores responsáveis, particularmente, pela manutenção do bem-estar psicológico são de natureza familiar (e.g., estado civil e número de filhos), financeira (e.g., situação económica) e física (e.g., promover uma saúde física ativa) (Sequeira e Silva, 2002) a resposta é sim! O bem-estar assume um papel muito importante na saúde mental das pessoas.

Além do bem-estar, existem outros “pilares” que sustentam uma saúde mental saudável como, por exemplo, a resiliência, a adaptação, as competências e os fatores de proteção internos e externos. Por norma, o verdadeiro uso do pilar justifica-se quando o mesmo serve de apoio para aumentar o equilíbrio e oferecer estabilidade de uma estrutura.

Na psicologia, o equilíbrio e a estabilidade adquirem-se quando o individuo socorre-se dos seus “pilares” para superar as adversidades da vida.

Por exemplo, há pessoas que têm algumas competências e fatores de proteção (e.g., autoestima positiva, autocontrolo e flexibilidade) que mais facilmente podem fazer com que elas resistam com menor sofrimento e, paralelamente, que se adaptem mais rapidamente às circunstâncias.

Assim, a formação do conhecimento humano e a respetiva aquisição de informações deverá assentar numa ótica ininterrupta, com base na evidência científica, para facilitar o processo de transformação em tempos opressivos como este que estamos a viver. De facto, resiliência mental e emocional são palavras de ordem em tempos de transformação na saúde mental. Com isto, levanto a seguinte questão: a psicologia e os psicólogos/as, nesta crise pandémica, surgem como os construtores de “pilares” ou surgem como uma espécie de veículo de informação à velocidade de um “andarilho” da saúde mental? Estou certo que o exemplo do “andarilho” seja o mais plausível e passo a explicar o porquê. Efetivamente, a palavra andarilho significa “aquele que anda muito e depressa” (infopédia, 2020).

Por outras palavras, “a psicologia está em todo o lado, no entanto, os psicólogos ainda não.” No entanto, o reconhecimento do papel do psicólogo na sociedade tem evoluído de forma positiva, particularmente em situações limite, mas não só. Este vai mais além atuando, do ponto de vista comportamental, na prevenção e no desenvolvimento das pessoas. Para terminar, torna-se jussivo o reconhecimento da atuação dos profissionais de saúde mental na promoção da saúde face às consequências do confinamento.

 

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