Silvina Queiroz, professora, escreve semanalmente às quartas no LUX24.

Escrevo com alguma antecedência e “empurrada” pelas notícias de TV, que não cessam de anunciar a tragédia acontecida com o piloto português, no decorrer do Dakar, na Arábia Saudita.

Tais acontecimentos, todos os dias nos lembram quanto a vida é uma coisa frágil, efémera e presa a cada um de nós por uns fiozinhos invisíveis de resistência não maior do que as  teias tecidas pelas pequenas aranhas, nos seus lavores belíssimos.

Há dias atrás fiquei profundamente abalada com a morte prematura, inopinada, profundamente injusta para ela e para toda a família da pequena Leonor, uns dias antes do Natal, tendo sido sepultada no dia em que deveria estar a receber o calor familiar e os mimos, as prendinhas ansiadas.  Os resultados da autópsia da criança demorarão cerca de três meses. Nada devolve a Leonor aos seus queridos mas esta espera é mais um sofrimento indizível, insuportável. O que terá acontecido?

Pelas primeiras informações, aponta-se para uma ruptura do baço, que terá dado sinais visíveis quando o corpinho da menina começou a ser coberto de rosáceas, que deveriam ter constituído um sério sinal de alarme mas que foram displicentemente desvalorizados. Não tenho receio das palavras: a atitude da senhora clínica foi displicente, de facto.

Mas talvez seja pertinente averiguar se houve ou não alguma razão para essa leveza de análise, já que a garotinha foi enviada duas vezes de volta para casa, apesar das suas insistentes queixas no hospital.

Há quantas horas estaria aquela médica a avaliar doentes? Muitas, poucas, depois de uma noite de repouso, ou num turno duplo, como já vem acontecendo? Este caso aconteceu numa unidade privada de cuidados de saúde mas estes males “afligem” também o sistema público, sistema que tem sido propositadamente descapitalizado e descuidado, para abrir portas aos “negócios da saúde”.

A própria expressão e muito mais o conceito são verdadeiramente vergonhosos. A saúde não poderá nunca ter como principal objecto o lucro! Por minha parte, defenderei sempre, na medida das minhas capacidades e oportunidades o Serviço Nacional de Saúde português, um dos mais avançados e que, se tem decaído, em algumas facetas da sua qualidade e eficácia, tal não decorreu do ocaso mas de malévolas e imperdoáveis “vontades”porque a saúde é um direito constitucional e inalienável. Não o esqueçamos nunca!

Não se sabe o que se passou naquele fatídico último dia de aulas do 1º período, quando Leonor levantou a mochila e a colocou nas costas. Esta é uma questão que tem de ser objecto de célere análise. Há crianças que carregam um peso de materiais escolares, por volta dos dez quilos, algumas delas sendo miúdos muito pequenos que vão arrastados pelas mochilas, com evidentes dificuldades.

Isto daria “pano para mangas” mas é uma discussão que tem de ser feita e pesados todos os prós e os contras do constante transporte de todos os manuais. Necessária tal medida? Enquanto professora, considero que não, têm é de encontrar-se alternativas e práticas  justiciosas.

Descansa em Paz, Leonor! Corre livre pelos prados do Paraíso e que a saudade que deixaste possa ser amenizada pela lembrança dos teus sorrisos doces.

Vocês, meus amigos, sejam felizes e alegres, enquanto a Vida se não lembra de nos pregar estúpidas partidas.

Um grande abraço. SQ

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