“Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida”, canta Sérgio Godinho. Esta verdade de La Palisse tem a virtude de todas as do género: nada trazem de novo mas são sempre verdade! Coitado do senhor La Palisse que nunca nada fez para ter esta fama sem proveito. Acontece aos melhores passar por ter dito ou feito algo sem que nada “justifique” a “paternidade/maternidade! Simplesmente acontece.

Pois hoje abriu-se um “capítulo” novo nas vidas dos portugueses, vivendo na Terra Mãe. A partir das zero horas, dá direito a multa, que pode ser pesada, o não uso de máscara em espaço público, mesmo ao ar livre. A obrigação mantém-se até à véspera de Reis, a 5 de Janeiro de 2021.

E a partir daí como será?! Não vale a pena tentar adivinhar, de tal modo faz medo o futuro próximo. A medida, em minha modestíssima opinião, só peca por tardia. Têm de esgotar-se todas as possibilidades de actuação tendo em vista o combate a esta “coisa” maldita que nos aconteceu e nos fez recuar não só 100 anos mas até à Idade Média.

Silvina Queiroz, professora, escreve semanalmente às quartas no LUX24.

Sentimento que já terão experimentado os nossos avoengos aquando da terrível gripe espanhola, a pneumónica, que tantas vidas ceifou nos anos 17 e 18 do século passado. Gostaria de saber, a título de mera curiosidade, se na altura houve reacções patetas e patéticas, como aquelas a que estamos a assistir.

As redes sociais, campo fértil para o plantar de disparate e seu desmedido incremento, cheinhas de vozes zangadas porque “Aqui D’El Rei que me obrigam a andar de máscara na rua!”

Como foi que disse?! Acha esta gente que a sua liberdade lhes permite colocar os outros em risco? E colocarem-se eles próprios em perigo não é assunto exclusivamente seu, muito pelo contrário.

Se ficarem doentes terão o direito a ser tratados, custe isso o que custar. E se por culpa de um propositadamente descuidado, outra pessoa que foi contagiada “sem saber ler nem escrever”, ficar de lado por falta de resposta médica ou hospitalar porque estarão a tomar conta do propositadamente descuidado? Alguém achará justo?

Se não quiserem usar a máscara não usem, fiquem em casa sossegadinhos. Aí ela não é precisa nem obrigatória.

Disse atrás que a medida peca por tardia e repito. Traz-me muita preocupação pensar nos possíveis efeitos nefastos dos ajuntamentos no Autódromo do Algarve durante o passado fim de semana. 27.500 pessoas, algumas bem descuidadas!

Por que razão não era já obrigatória a máscara em espaços ao ar livre? Estaríamos agora mais descansados! Mas como foi possível aquele absurdo? As pessoas ainda não terão percebido que estamos à mercê de um monstro desconhecido e terrivelmente perigoso?!

Fiquem bem. Cuidem-se, protejam-se. Os tempos não estão para facilitismos e todo o cuidado poderá ser pouco. Saúde, o nosso maior tesouro.

Aquele abraço amigo e agora mais preocupado. SQ

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