Rita Limede, psicóloga e produtora de eventos musicais, escreve semanalmente às quintas no LUX24.

O psicólogo polaco Andrew Lobaczewski dedicou toda a sua carreira a estudar a relação entre doenças mentais e desordens de personalidade com a política e o poder. O objetivo do seu estudo era o de compreender o que atraí as pessoas para a política, e qual o perfil de alguns dos líderes mais infames.

Um dos propósitos do estudo era também o de compreender o que leva alguns chefes de estado  a terem comportamentos ditatoriais – e qual o perfil de alguns dos ditadores mais cruéis dos últimos 100 anos.

A falta de empatia e de sensibilidade para os direitos humanos, bem como atrocidades cometidas contra outros seres humanos por serem de um grupo minoritário, serão feitas de consciência pesada, ou são resultado de algum distúrbio mental?

Após analisar perfis e discursos, Lobaczewski concluiu que existe de facto uma ligação entre ambos. Que há uma tendência muito maior para os psicopatas e indivíduos com distúrbios de personalidade – como a personalidade narcisística, de se sentirem uma maior atração pela política e poder. Este cunhou assim o termo “pathocracy” para definir o tipo de governo chefiado por estes indivíduos.

“Pathocracy” não tem uma tradução literal para português. No entanto, podemos definir este termo como um estilo de governação por indivíduos com patologias mentais.

Embora a inspiração para este estudo tenham sido regimes mais antigos, em pleno século XXI, verificamos que este termo – e estes governos – estão bem vivos.

E o que torna estes (des)governos vivos e mais atuais que nunca, é a sua base crescente de eleitores. Indivíduos com as mesmas perturbações mentais, revoltados com as ideias tradicionais de democracia tendem a seguir atentamente e apoiar estes indivíduos, o que faz com que o resto da população mais moderada, se afaste completamente horrorizada pela insanidade.

Ora, isto só leva a que haja uma maior tendências para ideias extremistas (em ambos os lados), o que poderá explicar o recente ressurgir de ideias e partidos nazis na Europa.

Hoje [10 de Outubro] que se celebra o dia mundial da saúde mental, e ainda em rescaldo das mais recentes eleições legislativas em Portugal, é importante reflectir sobre este fenómeno. Um mundo onde indivíduos que sofrem de doenças mentais, ao mesmo tempo que as demonizam e criam tabus e entraves relativamente à sua aceitação e tratamento, estão outra vez a ganhar terreno político.

Haverá forma de os impedir que espalhem um epidemia de “pathocracy” pelo mundo fora?

A resposta poderá estar na maior sensibilidade para as questões relativas à saúde mental e aos apoios para o seu tratamento e desmistificação. A humanidade agradece.

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