Miguel Torres, Software Developer e Gestor de Dados, escreve semanalmente às segundas no LUX24.

Uma vez mais vou escrever sobre o lado menos negativo do Covid-19. A semana passada referi-me aos grupos de vizinhos que estão a ajudar pessoas em isolamento. Desta vez queria falar no contributo da quarentena para a saúde em geral.

É mais ou menos unânime na opinião pública que a quarentena é a melhor forma de reduzir a propagação do Coronavirus, mas no início eu pensava que tanto tempo em casa poderia trazer problemas, não só de saúde mental mas também em termos de massa corporal.

Dez milhões de pessoas em Portugal e mais de 60 milhões de pessoas no Reino Unido em casa durante meses a comer snacks como se não houvesse amanhã (até porque pode mesmo não haver) seria razão para alterar a atividade sísmica na Plataforma Eurasiática. Se todos dessem um salto ao mesmo tempo provocariam um abalo de 7.8 na Escala de Richter.

Mas não. A população está mais saudável que nunca. Deixou o carro para andar de bicicleta, começou a correr em parques e até os cães ganharam uma nova vida com passeios intermináveis.

No Reino Unido não só é permitida uma unidade de atividade física por dia como até aconselhada por questões de saúde mental. Tenho deixado a bicicleta em casa, onde treino num rolo e optado por uma estratégia mais conservadora do que as indicações oficiais. Saio para correr com menos frequência, a partir de casa e em locais próximos mas com pouca gente. Para além disso, só saio para ir ao supermercado, de bicicleta, num percurso de menos de um quilómetro.

Nestas saídas tenho visto novas caras a fazer exercício, nomeadamente corrida. Eu sei que me arrisco a enganar como Gabriel Alves que disse “Aí vai Paneira com o seu estilo inconfundível… Ai não, afinal é Veloso”, mas o estilo inconfundível destas pessoas diz-me que elas nunca correram depois daquela aula de Educação Física do 11ºB de 1989 (ou o equivalente do Reino Unido: GCSE ou A-Levels ou coisa que o valha).

Depois desse fatídico dia em que levaram pela última vez com uma bola de basquetebol na cabeça (ou de cricket no caso dos britânicos), nunca mais voltaram à atividade física, nem sequer para apanhar um autocarro porque o seu estilo inconfundível de corrida com roupas de marca diz-me que nunca andaram de transporte público.

Mas muitos vão conseguir adaptar-se a este movimento estranho que é puxar o joelho para cima e levantar um pé do chão ainda antes do outro. Ainda por cima fazendo-o a mais de 160 repetições por minuto. O Covid 19 pode ter-nos tirado a liberdade e a vida de muitas pessoas, mas trouxe um estilo de vida saudável a muitas outras.

Não estou com isto a dizer que é melhor, mas pelo menos, tendo em conta que os Jogos Olímpicos foram adiados para 2021, há um potencial para que a marca das 2 horas da Maratona seja batida em termos oficiais, mas não por Eliud Kipchoge mas pelo Sr. António, contabilista de uma empresa de mediação imobiliária.

 

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