Há 380 anos, num dia igual ao de hoje [ontem], Lisboa acordava sobressaltada com as movimentações revolucionárias que acabariam com o domínio espanhol no nosso País. Tinham sido 60 anos de subjugação estrangeira, após o desaparecimento inglório de D. Sebastião no infausto recontro de Alcácer Quibir. Operação condenada à partida.

Não havia chefes militares da craveira de Nuno Álvares Pereira e a diferença positiva de seis canhões portugueses em relação ao inimigo, não chegava para anular a diferença de efectivos. Marraquexe a contar com mais 36360 soldados, mais do que o número do pobre exército luso.

Apesar das promessas de manutenção de autonomia das cortes portuguesas por parte dos Filipes de Espanha, uma raiva surda ia crescendo, especialmente entre as massas populares.

Silvina Queiroz, professora, escreve semanalmente às quartas no LUX24.

Raiva a que se juntou a dos nobres quando as tais promessas foram caindo em saco roto, especialmente durante o reinado de Filipe III, IV de Espanha e neto do outro Filipe que morreu com um ataque de piolhos e que governou este nosso País de 1580 a 1598.

Profundamente agastados com o estado a que haviam chegado as coisas, o Grupo do Conjurados, quarenta homens de fibra, imbuídos de fervor patriótico e de outros menos confessáveis, invade o Paço Real em Lisboa e dá início a uma nova era governativa em Portugal. Acabava o poder dos Habsburgo e começava o domínio dos Bragança.

O fidalgo D. João de Bragança é aclamado rei, D. João IV. Casado com uma espanhola, Luísa de Gusmão, desde a primeira hora esta se pôs do lado da causa independentista portuguesa, tendo proferido: “ Mais vale um dia reinando do que uma vida inteira servindo!”

D. João IV e os Conjurados devolveram ao País  a sua independência, abrindo novas oportunidades para o Povo Português, lamentavelmente tão defraudadas ao longo dos tempos. Foi o 25 de Abril do século XVII. D. João IV deixou-nos esta herança de um tempo novo e também a sua inspirada criação musical.

Estamos em tempo  de Natal, e ouviremos ou cantaremos entre outros temas da época, Adeste Fideles, uma belíssima composição do rei João. Alguns apontam esta autoria como duvidosa mas está tão na linha do que escreveu o Restaurador… Acredito que seja sua.

Fiquem bem, felizes e repletos do espírito deste tempo lindo. Um forte abraço neste dia de memória gloriosa. E pensar que houve quem nos tenha tirado este dia como feriado nacional! Lembram-se? Eu jamais esquecerei. (Pedro Passos Coelho, ano de 2013, recuperado o feriado por iniciativa do PCP, em 2016. A verdade acima de tudo.)

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