Silvina Queiroz, professora, escreve semanalmente às quartas no LUX24.

Amigos lá longe: saúde, sucesso, alegrias, eis o desejo para todos vós. No rescaldo de umas eleições legislativas, que determinarão as políticas para o País durante os próximos quatro anos, confesso, não desilusão mas grande preocupação.

A dispersão de votos e as “modas” ditaram uma perda substancial da força parlamentar da CDU – O PCP e os PEV e, por consequência, o afastamento de deputados experientes que muita falta farão na próxima legislatura.

Não elegemos a Rita Rato mas esta não foi surpresa alguma, já que, lamentavelmente, nunca elegemos nenhum deputado pelo círculo da Europa, facto que configura uma enorme perda para os emigrantes portugueses que teriam sempre uma voz no Assembleia da República a defendê-los e a “puxar” pelos seus direitos.

É sabido que a força do PCP na rua, nas lutas, nas fábricas, na agricultura e pescas, nos serviços públicos, nunca é correspondida em igual medida no acto de votar. Desta vez, este facto foi ainda mais notório, dada a simpatia que recebemos durante a campanha, em que as pessoas paravam para pôr perguntas e para reconhecer a nossa importância no teatro político.

Mas o preconceito é o preconceito e a sua força é extraordinária, criando constrangimentos nas mentes de alguns cidadãos na hora de colocar a cruzinha no boletim de voto! Mas hoje, sendo as eleições 2019 já passado, continuamos vivos e bem vivos, e nada nem ninguém nos retira a força e a vontade para prosseguir a luta, no Parlamento e fora dele, com a plena consciência de que jamais envergonharemos a nossa história ou a memória de tantos que lutaram antes de nós e, durante 48 negros anos, em condições muito mais difíceis!

Preocupação porquê? Porque, pela primeira vez na história da nossa democracia, após o seu restaurar naquela gloriosa manhã de Abril, há 45 anos atrás, pela primeira vez, dizia, entra no Parlamento a extrema-direita, perigosa, muito perigosa e de cariz fazcizante.

Dar uma olhada rápida nos programas do Chega (e também do Iniciativa Liberal) dará para perceber o que são, o que pensam e ao que vêm.

Seguindo uma “maré” malfazeja que corre a Europa, o fascismo tenta levantar cabeça e assumir locais estratégicos. A CMTV “elege” o seu deputado, o que seria André Ventura sem esse palco mediático?! Por sua vez, o capitalismo feroz, imperialista e desprovido de cariz humano, encontra o seu acolhimento mais “confortável” nestes dois mini-partidos , que até há pouco não existiam.

Mas podem ficar “descansados”: terão sempre os olhos atentos da CDU e de outros democratas a barrar o caminho das suas pretensões xenófobas, racistas, “liberais” até ao extremo, como fazem questão de afirmar. Lembrar que liberalismo nada tem a ver com o conceito humanista de liberdade, é antes o seu oposto!

Neste dia 9 de Outubro celebramos a liberdade e as lutas para a atingir. Cumprem-se 52 anos sobre o assassinato ignóbil de Ernesto Guevera. O eterno Che, que deu a sua vida pelas causas da igualdade, fraternidade, paz entre os povos contra o fascismo, sendo morto na Bolívia, aos 39 anos, após uma denúncia de camponeses da zona que sabiam do local de acampamento da guerrilha.

É sempre tão triste quando os oprimidos, ajudam o seu opressor, sem sequer se darem conta do que fazem!

Passam hoje 45 anos sobre a morte, natural, do alemão Oskar Schindler, que arriscou a sua vida ao perceber a ignomínia do Partido Nazi, a que anteriormente aderira, empregando nas suas fábricas 1200 judeus, a fim de os livrar de uma morte certa e horrível.

Quem não viu o filme “A lista de Schindler”, não deve perder a oportunidade se a encontrar. O filme é bem fiel ao que se passou e relata, embora mais implicitamente do que explicitamente, a evolução daquele homem, que buscava acima de tudo o sucesso pessoal e o lucro mas que percebeu que tinha um dever cívico e moral a cumprir, perante as atrocidades que estavam sendo cometidas.

Também Guevara foi homenageado no fime Che, com uma interpretação de Benicio del Toro, no papel principal, absolutamente fabulosa e inspiradora. Estas duas peças cinematográficas estão na minha lista de “revisitação”.

Anseio que estes quatro anos que no domingo começaram, possam ser de recuperação de direitos e de melhorias gerais, abrangendo todos os cidadãos, independentemente do local onde se encontram. Que os que desejam voltar ao seu País, vejam criadas as condições para que tal aconteça.

Felicidades. Aquele abraço de sempre. SQ

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