Miguel Torres, Software Developer e Gestor de Dados, escreve semanalmente às segundas no LUX24.

Há um mês escrevi aqui sobre o coronavírus. Na altura existiam 37 mil casos em Wuhan e a curva de crescimento já estava em desaceleração. Consultando diversas fontes científicas e olhando para os números (uma percentagem muito pequena da população da China infectada e uma percentagem dos infectados a morrer também muito reduzida) fez-me pensar que não seria o fim do mundo como muitos pareciam acreditar.

Não será o fim do mundo, mas tenho que admitir que estava errado.

Não era entendedor de epidemias o suficiente para perceber que esta doença tem um grau de contágio tão grande que noutros países as coisas podiam ficar bem piores que na própria China, afectando uma percentagem bem maior da população.

E mesmo com uma taxa de mortalidade de 1% ou 2%, com um crescimento exponencial de 1.33 vezes por dia em algumas semanas, sem medidas de mitigação pode originar a morte de milhares de pessoas.

É o que dá perceber muito pouco do assunto, fica-se rapidamente convencido que se sabe muito. É um efeito conhecido por Dunning-Kruger.

Por isso, quando quiserem saber informações sobre o Coronavírus, em vez de seguirem as minhas ideias, aconselho-vos em primeiro lugar a procurar informações na Organização Mundial de Saúde (WHO na sigla inglesa) e na Direção-Geral de Saúde (DGS na sigla portuguesa).

Se mesmo assim precisarem de mais informações, procurem órgãos credíveis como o Público, a SIC, RTP ou o LUX24 (claro) em português ou a BBC e o Guardian em inglês.

O pior mesmo é andar a acreditar na mensagem de um primo de um amigo que conhece o médico do Centro de Saúde de S. Pedro da Cova e que lhe disse coisas sobre o Covid 19 nos hospitais portugueses.

Ou partilhar posts de sites estranhos como o cmjornal.pt ou o istonãosãonadafakenews.com.br que dizem que o Cristiano Ronaldo tirou um doutoramento em epidemiologia e já salvou 23 crianças da Unidade de Saúde Familiar de Câmara de Lobos.

A Internet tem-nos dado tantas coisas da melhor comédia durante estes dias mais complicados, para quê perder tempo com boatos parvos e em discussões que devem ser feitas por cientistas?

Há tanto ‘meme’ de qualidade por aí, para quê discussões? Até porque podia ser pior. Podiam viver no Reino Unido, como eu, por exemplo.

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