Bruno Gonçalves Gomes, dirigente da Associação Letras Nómadas AIDC, escreve quinzenalmente aos sábados no LUX24. FOTO: Sérgio Aires

Não há dúvidas que esta pandemia mudou radicalmente as nossas vidas, os nossos comportamentos e até as nossas ambições e sonhos travaram.

Há um enorme impasse, anda-se 10 passos para a frente num dia e anda-se 20 passos noutro para trás em termos sanitários. O estado de emergência criou esperança que todos sairíamos desta pandemia se fôssemos responsáveis, com o fim do estado de emergência criou-se a ilusão que tudo já tinha passado.

O ser humano tem a capacidade de se adaptar e criar hábitos, mas a clausura forçada não foi levada a sério sobretudo pelos mais jovens que têm rotinas difíceis de quebrar.

Uma boa parte das regiões de Portugal começa a ter vários focos de pessoas infetadas, a região de Lisboa tem várias freguesias com cuidados redobradas e regras mais rígidas para os prevaricadores, em regiões no interior aparecem mais casos do que na altura do estado de emergência, os portadores do vírus nesses locais são pessoas influentes na zona, de famílias economicamente bem posicionadas.

Imaginem se os portadores do vírus fossem pertencentes a minorias étnicas ou fossem comuns trabalhadores que nunca tiveram oportunidade de ir passar férias para o Algarve!?Talvez fosse o “fim do mundo em cuecas”!

Pois, não podemos esquecer que esse maldito vírus chegou ao país através de pessoas de alta condição económica que foram em negócios para Itália, famílias que foram esquiar e para o Carnaval em Espanha. Caso para dizer que só se apedrejam os de “baixo”.

Enfim, temos que viver com um inimigo invisível que não nos permite abraçar, beijar quem mais amamos. Os latinos sentem falta do contato, os nossos olhos até se lhes rebenta as lágrimas dessa necessidade.

Três meses a cozinhar e a comer em casa, talvez tivesse sido bom para nos esmerarmos nas experiências culinárias. Confesso que sonhava com a comida de alguns restaurantes e com uma boa imperial, mas quando tive oportunidade de voltar a comer a francesinha contrafeita que tanto apreciava, senti-me defraudado, ou era o medo ou de fato o cozinheiro “perdeu a mão”, a francesinha contrafeita já não é a mesma…

Três meses sem futebol, estávamos tão bem! Que tristeza, o reatamento da Liga faz-me lembrar o passado dos torneios de futebol entre casados vs solteiros onde o que diferenciava nas duas equipas era mesmo o tamanho das barrigas dos casados, porque futebol não havia!…

A liga tinha-nos feito um favor de adiar o campeonato para o próximo ano, já nos basta os efeitos desta pandemia.

Nada será como antes, é difícil viver com um presente e um futuro incertos, com as nossas vidas semi-paralisadas, mas nem isso muda alguns que se acham superiores e estão sempre em cima do tacão agulha do sapato! Se não se retira aprendizagens nenhumas com um vírus democrático, o que os fará demover do seu orgulho!?

Valha-nos o “Ave Maria” de Schubert interpretado e cantado pelo presidente da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo Gilson Machado Neto a pedido do Bolsonaro!

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