Luís Pena, advogado, escreve quinzenalmente às segundas no LUX24.

Muito se tem falado, escrito e até especulado sobre a(s) origem(ens) da actual pandemia do Corona vírus.

Estamos perante uma Terceira Guerra Mundial, afirmada por quase todos, que tem um inimigo invisível, mas com uma enorme capacidade de devastação de vidas humanas.

De facto, não é a tão temida guerra nuclear, mas pior ainda, uma guerra viral que pode atacar cada um de nós sem darmos por ela.

Esta guerra, e é isso que estamos a defrontar, é um sério aviso ao Homem, demonstrativo da sua fragilidade existencial, bem como da pequenez do planeta Terra.

Não será isto o resultado nefasto da globalização levada aos limites do aceitável em que uma viagem de low cost para Paris custa menos do que uma viagem de comboio para Lisboa ?

Como é que não tomamos consciência do valor inestimável do nosso pequeno planeta, um oásis único de vida, que não paramos de saquear, poluir, destruir cegamente em vez de cuidar dele e construir paz e harmonia entre os homens?Como é possível que na principal potência mundial, se esteja, neste preciso momento, a fazer ensaios com mísseis? Como é possível?

Mas o coronavírus veio também questionar o nosso modo de vida. Nós vivemos na civilização da pressa, do movimento contínuo, das viagens constantes, do consumo frenético, da delapidação exponencial dos recursos.

E, além de tudo isto, estamos confrontados com a mudança climática e com a necessidade de mudar comportamentos. Durante anos vimos os parcos resultados das sucessivas conferências climáticas, das proclamações dos líderes, dos gritos dos activistas. Muito pouco aconteceu.

De repente, o coronavírus obrigou-nos a parar, a moderar a pressa, a viajar muito menos, a reduzir as reuniões, as conferências, as deslocações, reduzir as visitas aos centros comerciais e aos pólos de consumo.

Obrigou-nos a ficar em casa, a pensar e a reflectir, a reinventar o trabalho à distância, a substituir as reuniões por meios digitais, a mudar hábitos.

Afinal, é mesmo possível mudar e viver de outra maneira. Depois das cruzadas contra as tecnologias, afinal podemos viver e trabalhar digitalmente, e isso pode fazer toda a diferença.

Por outro lado, o coronavírus pode levar a uma redução das emissões de CO2 e contribuir para estabilizar o clima do planeta. Quando vemos as fotografias de satélite das cidades chinesas, que estão entre as mais poluídas do mundo, onde o trânsito é reduzido, podemos dizer que esta pausa é má para a economia mas boa para o planeta.

2020 arrisca-se a ser o ano da queda significativa das emissões de CO2 no mundo. Vamos tirar férias do planeta e o planeta de nós e isso pode ser o início de um novo caminho pois não é possível estar-se saudável num ecossistema que está doente.

Tal como nos tempos da Resistência, na II Guerra Mundial, é importante saber resistir e ser solidário para que, numa manhã qualquer, talvez do próximo Verão, possamos vir para a rua beijar-nos e abraçar-nos…

Para tal ser possível, temos de estar globalmente entrincheirados nesta batalha.
Sejamos fortes e confiantes no futuro, que não poderá, jamais, ser como dantes…

 

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