Miguel Torres, Software Developer e Gestor de Dados, escreve semanalmente às segundas no LUX24.

Dia 1 de Junho. Dia da criança. Dia da infantilidade. Dia da saída da quarentena no Reino Unido.

Um país que lidera o número de mortos na Europa, onde ainda ontem morreram mais de cem pessoas com a doença e foram testados mais de mil casos positivos decidiu reabrir escolas e superfícies comerciais, para além de permitir que pessoas se reúnam em grupos até a um máximo de 6 pessoas.

Esta última parte já acontecia desde a semana passada, pois com o exemplo de Dominic Cummings ficou bem claro que o distanciamento social terminou.

No fim-de-semana foi ver praias cheias de gente (sim, por incrível que pareça há praias no Reino Unido e, mais incrível ainda, é possível frequentá-las em alguns dias de calor) e o corona todo satisfeito a saltar de boca em boca.

Outra medida interessante é que as pessoas mais vulneráveis tinham que ficar em casa protegidas já podem sair à rua todas satisfeitas da vida e lamber corrimões de estações de caminho-de-ferro que já não lhes deve acontecer nada.

Mas a medida mais infantil tomada  até foi em sentido contrário. A partir de agora, todas as pessoas que entrarem no Reino Unido, com exceção de quem vem da Irlanda terá que ficar em quarentena durante duas semanas.

Não, não é quem sai de cá, é mesmo quem entra. Ou seja, quem vem de um país onde há menos casos e onde o pico da epidemia já passou há mais tempo é que tem que ficar em quarentena a partir de agora. Não fizeram isso quando estavam todos os países mergulhados em coronavírus e nem sequer são os outros países a protegerem-se de quem sai daqui.

É mesmo o governo gostar de tudo o que é criar problemas a quem entra no país. Ainda há de chegar o dia em que para entrar nesta ilha será preciso aguentar meia hora com um joelho no pescoço.

Fazer quarentena quando se entra no país mais afetado pelo coronavírus é como obrigar as pessoas que saem do mar a entornarem um balde de água salgada pela cabeça abaixo antes de voltarem à toalha. Ou um Presidente do EUA ameaçar censurar o twitter apesar de escrever 20.000 tweets por minuto.

O Reino Unido sempre se orgulhou da sua relação especial com os Estados Unidos e, de facto, em termos de Covid-19 existe algo de especial entre eles. Lideram o ranking como nunca aconteceria no futebol.

Mas em breve vão ser acompanhados por um gigante amarelo e verde. E aí sim, teremos a liderar a desgraça os três piores líderes do mundo ocidental.

É bom que as pessoas pensem nisso quando votarem nos seus clones que por aí andam.

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