Rui Martins, activista e dirigente associativo, escreve semanalmente aos domingos no LUX24.

Elisa Ferreira em entrevista a Daniel Oliveira queixou-se de que “os cidadãos europeus criticam muito e não apresentam propostas à União Europeia”.

Ora bem:
1. Acho sempre curioso ver um político profissional criticar os eleitores em vez de questionar antes porque participam pouco e mal estes cidadãos nas instituições europeias.
2. Ao longo dos anos enviei várias petições ao Parlamento Europeu: nem uma mereceu mais do que uma resposta-tipo. Algumas foram ignoradas (e continuam abertas) outras foram fechadas, sem aparente leitura além do título e remetendo para textos já produzidos pela Comissão Europeia ou pelo Parlamento Europeu.
3. Ao longo dos últimos vinte anos tentei contactar vários eurodeputados de vários partidos mas, sobretudo, daquele onde sou militante de base (sem cargos): o PS. A regra foi a ausência de resposta com 2 ou 3 notáveis excepções (uma delas Ana Gomes).

A União Europeia precisa de fazer muito mais e melhor para desenvolver mecanismos de contacto e participação efectiva dos seus cidadãos ou seguirá sendo um conjunto de torres de cristal inacessível aos cidadãos, cada vez mais dentro de uma “bolha” insensível aos problemas dos europeus, que não os escuta nem pressente e que vive em circuito fechado de cargo em cargo, de eleição em eleição, cada vez mas distante e majestática.

Não há futuro para a União Europeia:
Se as Iniciativas de Cidadania Europeia continuarem a ser “monstros” impossíveis de alcançar: possíveis apenas para grandes lobbies internacionais;

Se as petições ao Parlamento Europeu continuarem a ser esvaziadas de utilidade e eco e não passarem de um mero formalismo vazio e sem influência;

Se os eurodeputados continuarem sendo, por regra, surdos e mudos para com os cidadãos que os elegem.

Não há futuro para esta União Europeia e chegou o momento de os cidadãos do continente começarem a pensar se devemos avaliar este modelo de União Política ou se, pelo contrário, chegou o momento de construir uma alternativa mais funcional, talvez menos ambiciosa e soberanista ou se, pelo contrário, a saída para o impasse e lassidão actual está num modelo mais federal e paritário que o actual.

A reflectir e aprofundar.

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