Miguel Silva, psicólogo, escreve semanalmente às terças no LUX24

Tendo em conta que estamos perante uma doença nova, sobre a qual ainda existem muitas dúvidas e questões, é urgente estarmos atentos ao surgimento de comportamentos de estigma social e discriminação para com pessoas que tenham ou tenham tido o vírus ou, inclusive, tenham estado em contato com o vírus.

Sentir-se preocupado ou ansioso deverá ser interpretado como uma manifestação de um estado emocional com características particulares a nível somático (e.g., batimento cardíaco elevado, aumento da respiração e tensão muscular), emocional (e.g., sentir medo e focar a atenção no futuro da ansiedade), cognitivo (e.g., focar a atenção numa determinada ameaça) e comportamental (e.g., adotar comportamentos de fuga ou de evitamento) (Graziani, 2005).

Assim, estes sentimentos aliados à incerteza perante o que não controlamos funcionam como gatilhos para a diminuição da coesão social.

Efetivamente, a pandemia COVID-19 tem demonstrado ser um desafio a nível global e está a despertar a atenção do mundo para a importância do comportamento humano em contextos específicos, nomeadamente, familiar, social e laboral.

Isto é, quando falamos em comportamento humano, na verdadeira aceção da palavra, entenda-se que este resulta da interação de diversos fatores internos e externos, tais como a personalidade, cultura, expectativas, papéis socias e experiências (Baptista & Neto, 2019).

A psicologia tem um papel de grande responsabilidade relativamente ao comportamento. Parafraseando Francisco Miranda Rodrigues, bastonário da ordem dos psicólogos portugueses, “os psicólogos sempre foram profissionais especializados em comportamento”, disponíveis não só em tempo de crise, mas também em tempos de recuperação e crescimento, trabalhando para a prevenção das crises e para estarmos mais preparados para lhes resistir.

O comportamento humano torna-se, assim, particularmente importante na capacidade que o ser humano tem em adaptar-se, pois, a adaptação implica mudança de comportamentos.
Então, estaremos perante um regresso à normalidade ou à anormalidade?

Se pensarmos que o conceito de anormalidade remete para tudo aquilo que seja contrário ao normal e tendo em linha de conta que uma crise gera mudança, logo, uma mudança para comportamentos pró-sociais e de altruísmo cívico seria bastante favorável do ponto de vista social.

O comportamento humano não é a única variável que merece a nossa atenção, por isso, caro leitor, se é português, tem mais de 18 anos e reside no Luxemburgo, convido-o a participar no preenchimento do questionário “Consequências Psicológicas da COVID-19” organizado pelo Cabinet de Psychologie Dr. Miguel Silva.

Para participar no questionário “Consequências Psicológicas da COVID-19” basta clicar AQUI.

 

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