Ainda não refeita do horror da I Guerra Mundial em que o País participara fazendo parte dos Aliados, contabilizando ainda as muitas mortes de jovens soldados lusos no terrível conflito, o grande e hiper sensível Fernando Pessoa, escreve o tocante poema “O menino de sua mãe”, retratando a desesperada esperança de tantas famílias, crendo, para não descrer, no regresso dos seus meninos, lá longe nos campos de batalha, entregues à sua sorte e à fúria dos homens.

“Lá longe, em casa, há a prece: ”Que volte cedo e bem” (Malhas que o Império tece !) Jaz morto e arrefece o menino de sua mãe.”

O Império teceu malhas que o levaram à guerra, contra sua vontade e seu interesse, expondo-o ao risco máximo, a hedionda realidade dos conflitos bélicos. O Império continua malhas e malhas tecendo nos nossos dias: ocupações indevidas de territórios e Estados, perseguição de minorias étnicas e desrespeito pelos seus direitos, iguais aos de todo o ser humano, guerras e mais guerras, embustes, populismos e demagogias obscenos.

O Império levou no ano que passou ao afastamento de Evo Morales da presidência da Bolívia. Evo, um índio comprometido com o seu Povo e com o progresso da sua Pátria linda, multicolor como a sua bandeira e os seus belos trajes típicos.

Tomado de assalto o poder naquele país, acção apadrinhada pelo Império ao mais “alto nível”, ou seja, ao mais baixo nível do respeito pela Liberdade e Vontade Popular, esta expressa em eleições. Como o resultado não conveio, vá de declarar fraude eleitoral e o exílio de Morales.

Fraude que nunca se confirmou e cada vez mais se percebe que a fraude foi a estória da fraude.

No passado dia 18, a Bolívia foi de novo a votos. As projecções apontavam para a não eleição do Presidente à primeira, tendo-se como praticamente certa uma segunda volta. Que não aconteceu! O candidato Luís Arce, o escolhido por Morales, conseguiu uma vitória arrebatadora na primeiríssima volta do acto eleitoral!

Os golpistas já vieram reconhecer os resultados eleitorais, imensamente expressivos. Segunda “façanha” repetindo o que atrás fizeram, se calhar, já não foi sequer equacionada pelo tal Império que tece, tece, tão expressivos foram os números.

E pergunto: Por que razão está a comunicação social tão caladita, tão envergonhada, certamente tão tristinha? Quando um qualquer bufão resolve contestar poderes legitimamente instituídos, “aqui d´El Rei, parangonas e alta gritaria nas primeiras páginas e nos noticiários.

Agora consideram que devem esperar porque ainda pode haver notícias em contrário, notícias que venham contestar a escolha clara, clarinha, do povo boliviano, herdeiro do revolucionário Simón Bolívar, seu primeiro Presidente.

Viva a Bolívia! Viva a luta emancipadora dos Povos!

Daqui o abraço fraterno de sempre. Sejam livres, sejam felizes. SQ

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