André Ventura (líder do Chega) e Rui Rio (líder do PSD) confraternizando no Parlamento (foto de outubro de 2019) FOTO: © Nuno Pinto Fernandes / Global Imagens / Todos os direitos de autor reservados

A Turíngia é um Estado situado na antiga República Democrática Alemã. Tem cerca de dois milhões de habitantes e a sua capital é Erfurt. Como a Alemanha é uma república federal existem eleições regularmente para eleger o presidente e o parlamento regionais. Há um ano realizaram-se as últimas, mas só agora tive tempo para escrever sobre elas. Peço desculpa pelo atraso.

Nessas eleições, o partido mais votado era o que já estava no governo. De seu nome Esquerda, estava coligado com os Verdes e os sociais democratas (que são de esquerda por lá). Esta coligação perdeu a maioria absoluta no parlamento regional. Do lado da direita, caso se juntassem os liberais do FDP, os conservadores da CDU e a extrema-direita da AfD poderiam eleger um presidente.

Miguel Torres, Software Developer e Gestor de Dados, escreve semanalmente às segundas no LUX24.

E foi isso que aconteceu, apesar dos liberais terem tido apenas 5 deputados eleitos, o seu líder acabou por ganhar a eleição no parlamento e preparava-se para ser o presidente deste estado alemão.

Pela primeira vez desde a ascensão do partido Nazi, um estado iria ser liderado por alguém eleito com o apoio da extrema-direita. Podia ser o regresso a uma época negra na História da Alemanha, com as devidas diferenças, claro.

Mas é nestas alturas que se vêem os grandes líderes e estadistas. Angela Merkel teve que se chegar à frente e dizer que era imperdoável uma coligação com a extrema-direita para eleger um presidente FDP (realmente alguém apoiado pela extrema-direita só poderia ser um FDP).

E assim, um dia depois, o novo presidente, cheio de vergonha acabou por se demitir. E o partido de Angela Merkel permitiu a eleição do candidato da esquerda que vinha do partido mais votado.

É nestes momentos que se vềem os verdadeiros líderes e Angela Merkel, tanto criticada em Portugal, mostrou ser alguém com um verdadeiro sentido de Estado. A chancellor alemã pode ter perdido o poder numa religião mas não assinou um papel ao lado da AfD. Preferiu a dignidade ao poder.

Já foi há algum tempo, mas acredito que tenha sido um sinal para toda a direita moderada europeia. Não se pode permitir que as instituições democráticas sejam tomadas encapotadamente por organizações xenófobas e anti-democráticas.

Por certo, o presidente do partido de direita mais representado do parlamento português seguirá o exemplo da congénere germânica que ele tanto admira. Nunca deverá aliar-se à extrema-direita para ganhar umas meras eleições regionais.

Ele que se auto-elogia como pessoa séria e que não entra em politiquices é certo estará sempre longe de populistas com ideias perigosas. Não é?

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