Bruno Gonçalves Gomes, dirigente da Associação Letras Nómadas AIDC, escreve quinzenalmente aos sábados no LUX24. FOTO: Sérgio Aires

Este domingo, dia 6 de Outubro, os portugueses decidem quem vai governar o país durante nos próximos 4 anos.

Que dizer da campanha? Esta campanha talvez tenha sido das mais chatas e tristes que tenho memória. Houve muitos debates, houve um acompanhamento quase ao minuto dos media, os partidos usaram as redes sociais, mas de facto foi uma campanha paupérrima porque uma boa parte dos candidatos não foi à rua para propor o seu programa, foram à rua para contrariar as propostas dos outros partidos.

A política e as eleições em Portugal tornaram-se numa guerra desenfreada por poder que vai cansando os eleitores. As estratégias de campanha são sempre as mesmas: comícios, arruadas, ida às feiras para distribuir de milhares de beijos…

Está na hora dos eleitores serem mais exigentes e pedirem mais dos partidos e dos candidatos, campanhas mais construtivas onde de facto os ideais e as propostas sejam colocadas na mesa, onde as gaffes ou erros políticos do opositor não sejam destaque.

Nas redes sociais as coisas ainda foram piores, os apoiantes anónimos a mando ou de forma individual foram inundando as mesmas com fake news e com o ultraje a candidatos, foram muitos os que me marcaram pela negativa, desde logo as mentiras à Joacine Catar Moreira, cabeça de lista do LIVRE, acusando-a de estar a fingir a gaguez para assim sensibilizar os eleitores. Conheço a Joacine e é uma mulher com muito caráter que não desceria tão baixo…

Não podia deixar de falar das mentiras e promoção do ódio racial promovido diariamente nas ruas pelo André Ventura, uma enorme obsessão em perseguir os ciganos, dizendo repetidamente que fala do que ouve nos cafés, essas auscultações nos cafés ou tabernas devem iniciar bem cedo, são depois do mata-bicho (bagaço)!? Ou depois de almoço na hora do café com cheirinho (café com um pouco de bagaço)?! Se for nessas horas está explicado, já não são as pessoas que falam…

Outra situação difícil de explicar é a acusação do Ministério Público ao ex-ministro da defesa Azeredo Lopes no caso Tancos, porque saiu em plena campanha eleitoral, qual era o objetivo? A mando de quem?

No último dia de campanha assistimos a um senhor de idade, dizendo-se um socialista desde sempre, a acusar o candidato do PS e ainda Primeiro-ministro António Costa de estar de férias aquando dos incêndios de Pedrógão que causaram cerca de 6 dezenas de vítimas mortais. Culturalmente, sempre vi, e vejo nas pessoas mais velhas marcos de referência que exigem de nós respeito. Mas também sempre ouvi dizer que um velho desabusado e mentiroso faz um jovem malcriado!

Se o idoso foi autarca do CDS porque foi dizer que era votante do PS? Porque foi reproduzir a mentira do Rui Rio? Sim, foi o Rui Rio que lançou recentemente a notícia falsa que Costa estava de férias na altura fatídica dos incêndios de Pedrógão… O Costa é também humano, e quem não se sente não é filho de boa gente. Feio é alguns partidos não se preocuparem com as suas campanhas e só se preocuparem em boicotar as campanhas dos outros.

Arre, arre, os eleitores merecem outra qualidade de campanha, está na hora de terminar com este tipo de campanhas enfadonhas, aborrecidas, sem criatividade nenhuma, depois os políticos não se queixem da abstenção…

P.S. – Em plena campanha eleitoral perdemos Diogo Freitas do Amaral, embora não concordasse com ele ideologicamente/politicamente, foi um homem que sempre se pautou por ser um político democrático que deu qualidade ao nosso espaço político. Deixa saudades.

*Texto publicado no domingo, dia 6 de outubro

Publicidade