Miguel Torres, Software Developer e Gestor de Dados, escreve semanalmente às segundas no LUX24.

Em todos os momentos negros, há algo de positivo a tirar. Mesmo nas raras vezes em que o Porto perde com o Benfica é sempre possível tirar algumas conclusões positivas como mudar o lateral direito ou deixar de ver futebol durante uns meses.

Em toda esta crise, é já comum falar-se em alguns impactos positivos, nomeadamente a forma como o ambiente recuperou com a paragem de muitas atividades humanas.

Os canais de Veneza estão transparentes, já que o lodo fica todo no fundo sem barcos, animais selvagens aproximaram-se de novo das cidades e a redução da poluição atmosférica na China pode salvar mais pessoas do que aquelas que o coronavírus matou.

No meu caso específico serviu pelo menos para não estar tão desiludido com o país onde vivo, o Reino Unido. Não em relação ao seu governo, que uma vez mais mostrou estar à altura das expectativas, mas sim à comunidade em geral.

No final da semana passada foi criado um grupo de ajuda para as pessoas em auto-isolamento e quarentena em Cambridge.

Rapidamente o grupo cresceu e teve que ser dividido em freguesias. Hoje o grupo da minha freguesia já está organizado e conta com cerca de 200 voluntários na plataforma digital que temos. Em uma semana a epidemia de voluntários superou claramente a epidemia de caso de coronavírus existente no mesmo local, o que não é nada fácil.

Hoje os residentes desta área sabem que mesmo que tenham que ficar em casa vários meses (a recomendação do governo é que ninguém com mais de 70 anos saia à rua nas próximas 12 semanas) terão alguém disposto a levar-lhes as compras a casa, a passear o cão ou a ter uma conversa por telefone para falar do tempo e da telenovela do dia anterior.

O Reino Unido é um país com muitos defeitos, mas no que toca a voluntariado e a arranjar pessoas para ajudar causas que realmente importam é um exemplo. Nisto gostava que Portugal fosse assim.

E até pode ser, porque há pessoas em Portugal que pensam da mesma forma. Já existem, à data que escrevo, 18 grupos semelhantes, até porque a ideia de criar estes grupos não é peregrina.

Infelizmente não têm a sorte de arranjar centenas de voluntários em menos de uma semana, e isso ainda dá mais mérito às pessoas que os organizam. Se acha que pode ajudar ou precisa de ajuda, procure neste mapa o seu grupo mais próximo.

Se não existe nenhum próximo, porque não criar o seu? Só precisa de um computador e ligação à Internet. Depois rapidamente tudo irá crescer.

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