Andreia Gouveia, assessora de imprensa, escreve semanalmente às quintas no LUX24.

Diz a sabedoria popular que às vezes é preciso que tudo mude para que tudo fique na mesma. A pandemia que vivemos este ano, e com que provavelmente viveremos ainda os próximos, esperamos que com menos intensidade, é a prova dessa afirmação, pelo menos no plano macro.

Os combustíveis voltam a subir, depois de terem baixado para valores históricos quando não precisávamos deles. A poluição regressa e já se sente no ar, mede-se nas águas que já vamos olhando com sede de nelas mergulhar porque, convenhamos, os meses em que parámos, os que parámos, souberam a tudo menos a férias.

O desemprego continua a fustigar muitos, a precariedade também, a fragilidade económica soma vítimas, os apoios tenderão a escassear porque o país não é rico e a Europa tem muitos filhos, todos adoeceram do mesmo ao mesmo tempo, a recuperação adivinha-se lenta, dolorosa, e serão os de sempre a sofrer um pouco mais, sobretudo de desesperança.
Mas a vida continua.

As portas abrem-se, montam-se esplanadas, compram-se ou fazem-se máscaras a condizer com os tons que mais vestimos, numa tentativa de integrar o excepcional no normal. Marcam-se férias cá dentro ou viagens de carro, porque zaragatoas e quarentenas retiraram glamour e encanto às viagens de avião e aos cruzeiros.

São cedências que custam menos agora que ainda temos fresca na memória a importância de coisas simples como poder ir beber um café ou visitar a família. Mesmo sem abraços, agradecemos a recuperação desta possibilidade, antes tomada por adquirida e banal. Quem está fora faz ainda contas à vida, estuda hipóteses, talvez se resigne a um ano sem ver os seus no verão, afinal tempos difíceis exigem atitudes corajosas.

A vida que continua continua a anunciar-se estranha. Ainda estamos a meio desta crise e já ouvimos falar de outras, parece que abrimos uma estranha caixa de Pandora, repleta de vírus que nos obrigarão a viver de outra forma, uma que não é, de todo, a que tínhamos sonhado para as nossas crianças.

Mas na caixa, fazendo jus à sua mitologia, permanece a esperança, difusa, de que tudo não passe de um pessimismo exacerbado pelos acontecimentos recentes.

É que a vida tem mesmo de continuar, com ou sem máscara, com mais ou menos abraços, na luta pelo crescimento ou pela mera sobrevivência.

É essa a maior força da esperança – todos sabemos que a vida encontra sempre uma maneira de continuar.

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