Miguel Torres, Software Developer e Gestor de Dados, escreve semanalmente às segundas no LUX24.

O novo coronavírus é novo (!), por isso pouco se sabe sobre ele. Tem vindo a ser estudado nos últimos meses e quase em tempo real saem artigos em revistas científicas depois de serem revistos minuciosamente por especialistas da mesma área que podem levantar questões ou mesmo recusar caso as conclusões não sejam credíveis.

É assim que funciona a ciência, cientistas que validam publicações de cientistas, que serão válidas até outros cientistas surgirem com novos dados e novas conclusões que serão novamente submetidas ao crivo dos “peers” (é esse o nome em inglês de quem verifica as publicações, não confundir pianers que são “coisas fáceis para o Jorge Jesus”).

Ora, para ativistas de redes sociais isto é inaceitável. Para quê usar ciências experimentais se facilmente, por detrás de um teclado de podem deduzir coisas a partir de posts no Facebook? A ciência é uma seca: experimentação e validação de resultados são muito menos divertidos que uma bela teoria da conspiração que não precisa de factos para existir.

Acho, no entanto, que as teorias da conspiração em vigor são pouco imaginativas, Vão sempre dar ao vírus ter sido fabricado pelos chineses em laboratório (algo que já foi contrariado por diversas publicações, inclusivamente na Nature). A partir daí existem várias nuances dependendo que outro assunto o conspirador pretende atingir (para além da xenofobia).

Decidi, por isso criar a minha própria teoria da conspiração.

No início de Janeiro, Ricardo Araújo Pereira mudava da TVI para a SIC acentuando a diferença de audiências entre as duas estações. A TVI, que estava a ser negociada pela Cofina, com medo de perder esse negócio decidiu criar um reality show novo, em que os concorrentes eram colocados à entrada do Pentágono e teriam que descobrir o maior Segredo de Estado norte-americano.

Os concorrentes eram todos famosos, mas nenhum conseguiu entrar no edifício, à exceção de Zé Maria, que arrancou relva dos jardins do Pentágono, enrolou-a numa mortalha e ofereceu aos guardas da entrada. Estes, todos satisfeitos deixaram-no entrar.

Zé Maria sentiu um cheiro a frango e como estava com fome seguiu-o e descobriu uma capoeira. Como não tinha uma faca para matar o frango, optou por fazer uma omolete com os ovos que estavam na capoeira. Quando trazia os ovos para a cozinha dos Pentágono, um deles acabou por cair e abrir-se.

Mas em vez de uma clara e de uma gema lá dentro estava um papelinho com a mensagem: “O Pangolim é um animal extra-terrestre que fugiu da Área 51”.

Donald Trump, que por acaso estava a pelo Pentágono a ver como poderia criar um novo 11 de Setembro e fingir que um voo tinha atingido o edifício, encontrou Zé Maria e viu que este tinha o segredo do Pangolim.

Assustado, pois Zé Maria já poderia ter enviado uma fotografia do papelinho para Barrancos, decidiu utilizar a sua nova arma biológica, um morcego geneticamente modificado, para destruir todos os pangolins do planeta.

O morcego começou por Wuhan, onde existiam diversos pangolins a serem vendidos no mercado. No entanto, a meio da viagem foi atingido por um chemtrail (aquele fumo branco que os aviões deitam) e acabou por só ter energia para chegar até ao primeiro pangolim sem sequer o matar.

O pangolim extra-terrestre acabou por comer o morcego e adquiriu assim toda a tecnologia americana. O problema é que Donald Trump tinha andado a visitar sites pornográficos e acabou por carregar um vírus informático no morcego sem querer e o pangolim ficou bloqueado e a exigir 100 bitcoins a todos os clientes da banca do mercado de Wuhan.

No entanto, pelo mercado andavam agentes secretos chineses, que tal como toda a população chinesa são controlados por chips inseridos por detrás das suas orelhas. Com o chip conseguiram passar as bitcoins para o pangolim mas levaram-no também para o laboratório mais próximo.

Aí os chineses descobriram que as bitcoins não tinham retirado o vírus informático do pangolim mas sim enviado para todas as pessoas com chips atrás das orelhas. E assim, em pouco tempo infectou o mundo todo, porque todas as pessoas que são vacinadas contra o sarampo têm os mesmos chips atrás das orelhas.

Que tal? Minimamente credível? Aposto que tão credível como todas as outras.

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