Silvina Queiroz, professora, escreve semanalmente às quartas no LUX24.

Eu não queria, eu evitei ao máximo escrever sobre isto, sobre este flagelo que veio para ficar, segundo o que vamos percebendo. Mesmo assim, por variadíssimas vezes “deixei cair” referências à doença, porque é manifestamente impossível que lhe passemos ao lado.

Eu bem queria e certamente vocês também mas este é um problema sério com o qual temos infelizmente de lidar. A nossa vontade não vale rigorosamente coisa nenhuma neste funesto assunto.

Estamos em pleno Verão e Portugal atravessa neste momento uma vaga de calor que fez subir os níveis de alerta em relação ao calor excessivo e ao elevado perigo de incêndio.

Segundo as primeiras informações da Organização Mundial de Saúde, no princípio da pandemia, seria expectável que esta fosse a oportunidade de ouro para combater o vírus que, de acordo com essas informações, seria incapaz de sobreviver em temperaturas acima dos 26º centígrados.

Estamos a experienciar valores de dez/doze graus acima dos valores normais para a época, daí a vaga de calor identificada. E contudo, o “planalto” não há meio de ceder, mantendo-se todos os dias o aparecimento de novos casos, sendo que a região de Lisboa e Vale do Tejo apresenta uma situação deveras preocupante.

O País está a “três velocidades”, estado de alerta na maior parte do território, de contingência na capital, à excepção de uma freguesia – Sta Clara. Aqui vale o estado de calamidade pública, o que acontece em mais dezoito freguesias da Área Metropolitana de Lisboa.

A doença tem atingido pessoas de todas as idades e estratos sociais, o que levou a um anedotário quanto à sua suposta “democraticidade”! Longe de ser assim. O vírus, de facto, não escolhe quem ataca mas escolhem os responsáveis políticos mundiais onde ele pode estar mais à vontade!

Locais densamente populados, com más condições de salubridade, pessimamente servidos de transportes públicos, nos quais as pessoas se amontoam como sardinhas na lata, estão de facto muito mais expostos à infecção e esta, depois de vingar, propaga-se com uma facilidade impressionante e trágica.

Populações de menores recursos são presas mais fáceis da pandemia. Basta lembrar-nos que não podem ficar em casa, protegendo-se. Saem todos os dias para trabalhar e a condição de layoff, que tanto prejudicou os mais fragilizados socialmente, está prestes a acabar. Para muitos não haverá (já não há!) emprego pleno. Os trabalhadores precários de muitas empresas já viram afastadas as hipóteses, já de si débeis, de ver renovados os seus contratos.

Quando os há, porque existem por aí tantos trabalhos clandestinos, favorecendo sempre os mesmos, fustigando os do costume: os mais pobres, os mais dependentes, os filhos de um deus menor das sociedades modernas!

Prometo não falar desta angústia da próxima vez que nos encontrarmos neste espaço de portugalidade.

Até lá, desejo que se mantenham atentos a este perigo tão presente nas nossas vidas. Fiquem bem, sejam felizes. Aquele abraço amigo enviado aqui de longe. SQ

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