Miguel Torres, Software Developer e Gestor de Dados, escreve semanalmente às segundas no LUX24.

Marine Le Pen é contra ensino de línguas, inclusivamente do Português, a crianças filhas de imigrantes. Curiosamente disse isto numa entrevista à margem do seu primeiro encontro com o líder do Chega.

Por cada vez que dois líderes nacionalistas se juntam e falam de cooperação, um golfinho nazi morre. Colaboração internacional de partidos de extrema-direita é aquela altura em que a sua ideologia dá três mortais à retaguarda encarpados e bate de chapa no fundo de uma piscina sem água.

Enquanto um português de extrema-direita se reunia com a líder da Frente Nacional, os militantes deste partido deviam estar a reunir-se na sala ao lado para tentar decidir qual seria a próxima sede de associação portuguesa a ser grafitada com palavras de ordem do tipo: “Vai para a tua terra”.

Ninguém perguntou ao português o que acha desta ideia de Marine Le Pen, mas provavelmente concorda, tendo em conta os militantes do seu partido que atafulham o facebook de erros ortográficos.

Se Fernando Pessoa dizia “A minha pátria é a língua portuguesa”, não percebo como é que supostos patriotas não conseguem conjugar o verbo haver e usam o H’s de uma forma tão displicente como a que partilham notícias falsas.

Se o Chega fosse contra a ideia de Marine Le Pen, os seus militantes teriam ido às aulas de português nos quatro anos de escolaridade que frequentaram, mas não foi isso que aconteceu.

Daí que nestes dias de internacionalização anti-internacionalista eles alinhem pelas ideias do partido francês. Aprender novas coisas, incluindo línguas, são sempre um perigo para a sua ideologia. É que esta gente pode começar por ler apenas posts em maiúsculas em grupos de facebook mas se não houver controlo ainda começam a ler livros e lá se vão os apoiantes.

Faço desde já uma sugestão para um cartaz ou vídeo no Youtube:

“Jà não vasta virem imigran-tes para Purtogal que escre-vem e fa-lam milhor na nòssa lingua que noz, agora ainda querem que aque-les que trazem matricolas amerelas em Agozto nos venham ensinar a falar prutoguêz? Vergonha!!! Abacho o ençino de prutoguêz em Franssa!”

Acredito que estas pessoas devam ser sinalizadas como potenciais prevaricadores de crimes de violência doméstica tal a forma como enchem a boca com juras de amor ao país enquanto por trás pontapeiam violentamente a língua portuguesa.

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