Miguel Silva, psicólogo, escreve semanalmente às terças no LUX24

O mês de maio ainda mal começou e já tem muito que se lhe diga sobre a segunda fase do desconfinamento. Dia após dia verificamos um aumento do desequilíbrio entre as nossas espectativas e a realidade face ao avanço do processo de desconfinamento. Este é um processo onde imperam as palavras “saída” ou “libertação”, contudo, será assim tão fácil colocar em prática esta definição?

Na verdade, a resposta para esta questão está dependente da relação de vinculação entre cada individuo e os seus comportamentos psicológicos. Ora, as pessoas que demonstrem mais amedrontamento neste processo de libertação do confinamento estão mais vulneráveis a funcionarem como uma espécie de veículo de “alta cilindrada” da ansiedade, deixando como imagem de fundo do “espelho retrovisor” o pensamento crítico.

Assim, nas palavras do presidente da Comissão de Ética da Ordem dos Psicólogos Portugueses, esta saída do confinamento “pode trazer dois tipos de comportamentos psicológicos”. Portanto, por um lado, haverá pessoas que vão sentir-se mais ansiosas no seu dia-a-dia e vão reforçar as suas medidas de proteção. Por outro lado, haverá pessoas a desvalorizar a situação e a adotar comportamentos de menor proteção.

Efetivamente, no dia 11 de maio verificou-se um aumento numérico relativamente ao processo de (des)confinamento. Não me refiro a um aumento do número de óbitos, ou de casos infetados, mas sim a um aumento do número de pessoas nos casos de visitas ou reuniões de natureza privada organizadas em casa (número máximo de seis pessoas, além de pessoas que já moram na mesma casa) e de reuniões ao ar livre (número máximo de vinte pessoas) (Gouvernement Luxembourgeois, 2020).

É caso para dizer que, pouco a pouco, o ser humano aproxima-se de uma potencial luz ao fundo do túnel, no entanto, uma nuvem negra intitulada de “liberdade mental” pode trazer efeitos traiçoeiros para o bem-estar coletivo.

É chegado o momento de equilibrar as nossas espectativas com a realidade. Assim, pensarmos de forma crítica e construtiva permitir-nos-á autorregular as nossas espectativas e caminhar para o autocuidado.

Ou, como se costuma dizer “cuidar de nós é cuidar de quem amamos!” É importante realçar que esta segunda fase do desconfinamento surge para propor um conjunto de novas medidas, referidas anteriormente, para sair gradualmente do estado de confinamento.

Endereço-lhe o presente convite para refletir um pouco sobre a afirmação que se segue: “a mente comanda, o corpo obedece!” (Lages, 2019). Os nossos pensamentos possuem uma capacidade inigualável de influenciar os nossos comportamentos, portanto, pensamentos positivos geram comportamentos mais saudáveis.

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