Cemitério português de Boulogne-sur-Mer - FOTO: RADIO ALFA / Todos os direitos de autor reservados
A opinião de Carlos Gonçalves, Deputado do PSD eleito pelo Círculo da Europa, no LUX24.

A memória da participação de Portugal na I Guerra Mundial e a preservação dos restos mortais daqueles que pereceram nessa campanha foi alvo de duas perguntas que apresentei ao Governo sobre a as ações de conservação e melhoramento dos cemitérios de Est de Boulogne-sur-mer e do Cemitério Militar Português de Richebourg.

Embora não sendo os únicos cemitérios em território francês onde podemos encontrar sepultados soldados portugueses que combateram em França durante a I Guerra Mundial, estes dois são os mais emblemáticos e aqueles onde repousam mais dos nossos compatriotas que tombaram perante a ofensiva alemã.

O Cemitério Militar Português de Richebourg, situado no norte de França, tem sepultados 1831 soldados portugueses do Corpo Expedicionário Português que combateu na I Guerra Mundial ao lado de franceses e britânicos contra a Alemanha e seus aliados.

Após o conflito, os soldados portugueses que morreram em França e que foram enterrados nos vários cemitérios franceses, foram depois transladados para este cemitério de Richebourg, tornando-se este um importante monumento à memória destes soldados tombados em combate.

O Cemitério acolhe anualmente, em abril, as cerimónias alusivas à presença portuguesa na I Guerra Mundial e à participação na Batalha de La Lys, contando com a presença de altos dignatários de França e Portugal, nomeadamente, os Presidentes da República e Primeiros-Ministros dos dois países, sendo um verdadeiro símbolo para a história militar portuguesa.

Ao mesmo tempo todos os anos é visitado por um número muito elevado de alunos, que ali se deslocam no âmbito da disciplina de História que aborda o tema da I Guerra Mundial e o Dever de Memória.

Importa também referir que o Cemitério Militar Português de Richebourg é, juntamente com outros cemitérios e monumentos, candidato a Património Mundial da UNESCO, o que acaba por ser demonstrativo da importância deste local de memória.

A manutenção e a conservação do Cemitério são, desta forma, fundamentais para garantir a preservação, em condições dignas, das campas dos soldados portugueses que ali repousam e, ao mesmo tempo, dar uma imagem de um Portugal que preserva as suas memórias, neste caso, as suas memórias militares.

Ora, cada vez mais, são mais frequentes as vozes que se levantam a pedir uma maior atenção para o Cemitério, tendo em conta a degradação, provocada pelo passar dos anos e pelo próprio clima, quer nas campas e nas estelas, algumas onde já se tem dificuldade em ler o nome do soldado que ali se encontra, quer nos espaços envolventes.

Neste sentido, seria importante que o Governo português pudesse garantir a concretização do restauro das campas e das áreas envolventes das mesmas de forma a assegurar que o Cemitério Militar Português de Richebourg continue, por muitos mais anos, a desempenhar o seu relevante papel de lembrar todos aqueles que tombaram sob a bandeira portuguesa nas campanhas francesas da I Guerra Mundial.

No cemitério Est de Boulogne-sur-mer estão sepultados 44 soldados no talhão português, zona onde se encontra também um Memorial, inaugurado no dia 27 de novembro de 1938, em homenagem aos soldados portugueses que participaram na I Guerra Mundial. Neste cemitério estão também enterrados cerca de 5800 soldados da Commonwealth.

Segundo algumas notícias vindas a público, não há, à entrada do cemitério, uma lista dos soldados portugueses ali sepultados ou um livro de condolências onde os visitantes possam deixar as suas mensagens ao contrário do que acontece em relação aos soldados da Commonwealth que também ali estão sepultados.

Para agravar ainda mais esta situação o Memorial que honra a memória dos portugueses que tombaram em França durante o primeiro grande conflito mundial, apresenta evidentes sinais de degradação e estará mesmo em perigo de ruir. Isso mesmo levou a que tenha estado vedado durante algum tempo, impedindo por motivos de segurança a aproximação de visitantes, tendo as fitas de sinalização de perigo sido retiradas para as comemorações do Armistício do 11 de novembro que não tiveram a presença de qualquer personalidade oficial em representação de Portugal.

Ao mesmo tempo, praticamente todas as lápides do cemitério de Boulogne estão degradadas, apresentando fissuras e com os nomes dos soldados que ali se encontram quase apagados, sendo a situação ainda pior do que aquela que se verifica no Cemitério Militar Português de Richebourg.

Esta é uma situação preocupante pois a preservação da memória daqueles portugueses que pereceram na I Guerra Mundial e o respeito pelos locais onde estão sepultados deve ser uma preocupação do Governo de Portugal independentemente do local onde se encontrem.

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