Number 10 special advisor Dominic Cummings leaves after giving a press conference in the Rose Garden at 10 Downing Street in central London on May 25, 2020, following allegations he and his family travelled from London to Durham, while the nation was under full-lockdown to curb the spread of COVID-19. - British Prime Minister Boris Johnson's top adviser Domonic Cummings said Monday he acted "reasonably and legally" despite mounting pressure on him to resign for allegedly breaking coronavirus lockdown rules. "I don't think there is one rule for me and one rule for all people," Cummings told reporters in his first official press conference on the job. "In all circumstances, I believe I behaved reasonably and legally." (Photo by Jonathan Brady / POOL / AFP)
Miguel Torres, Software Developer e Gestor de Dados, escreve semanalmente às segundas no LUX24.

Enquanto em Portugal a vida vai regressando muito lentamente à normalidade, no Reino Unido, depois de um atraso nas medidas de confinamento que resultou em muitas mortes, ainda estamos com umas semanas de atraso e, por isso, ainda com a maioria da população em casa e com o comércio e restauração fechados. Em breve até vão obrigar as pessoas que chegam do estrangeiro a fazer quarentena, como se estivéssemos em Fevereiro.

Existem, claro, exceções. A primeira sair para compras, a segunda sair para exercício físico e a terceira, só permitido a pessoas infetadas, conduzir 350 km até casa dos pais, ficar lá com o filho e dar uma volta por um castelo a 40km desse local.
Pelo menos foi o que o Primeiro-Ministro afirmou ontem em direto para todo o país a justificar as aventuras do seu principal assessor. Já várias vezes escrevi sobre a pessoa mais poderosa do Reino Unido: Dominic Cummings. Não foi eleito, nunca foi deputado, mas é ele que manda em Boris Johnson. Todas as decisões, todos os discursos do Primeiro-Ministro passaram pela pessoa que define a estratégia do governo.

Um homem com tanto poder que por certo tem a tendência em confundir-se com Deus e que, por isso, pode estar em Londres, na sua casa ou em Durham na casa dos pais já que ambos fazem parte da sua omnipresença. O seu à-vontade é tanto que entra no número 10 de Downing Street ao domingo à tarde, com umas calças de fato-de-treino e uma t-shirt já encardida como se estivesse a passear pelo Norteshopping ou o Colombo com a família.

Não conheço muito bem a história familiar de Cummings, mas pelos vistos os pais moram em Durham, no Norte de Inglaterra. Como parte do aparelho Conservador, acredito que tenha pais ricos e talvez a herança seja uma boa razão para ir visitá-los quando ele e a sua mulher estão infetados com o coronavírus.

Incrivelmente muitas vozes pediram a demissão de Cummings, incluindo deputados do Partido Conservador e até a imprensa ligada a este partido. É como se os anjos se juntassem e quisessem mandar Deus para o Inferno. Algo que não aconteceu, porque Boris, o verdadeiro São Pedro de Downing Street fechou a porta e engoliu a chave.

E quando todos estavam à espera que a defecasse na conferência de imprensa e permitisse a saída do seu chefe, do ânus de Boris (que é o mesmo orifício da boca como o pepino-do-mar) apenas saíram palavras de confiança no seu chefe, perdão, no seu assessor.

Boris tinha que escolher entre ficar com Cummings e ter a opinião pública contra si ou perder Cummings e ter que pensar pela sua própria cabeça e tomar as suas próprias decisões. Se eu estivesse no lugar dele com a cabeça dele (incluindo o cabelo) faria exatamente o mesmo: Engolir uma cassete, ignorar todas as perguntas e dizer que acredita na boa-fé de Cummings.

Afinal de contas, toda a relação com Deus é baseada na fé, só tenho dúvidas é que esta seja boa.

Publicidade
Falhas, erros, imprecisões, sugestões?
Por favor fale connosco.
Publicidade