Um homem com uma bandeira de Portugal sobe a Avenida da Liberdade em Lisboa, por volta das 15 horas, altura em que anualmente se realiza um desfile comemorativo do 25 de abril de 1974 e que, devido à pandemia da covid-19, não pode ter lugar, em Lisboa, 25 de abril de 2020. JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA
João Carlos Paulo, professor, escreve quinzenalmente no LUX24.

Por vezes somos levados a pensar que viver em liberdade é uma garantia para vivermos em Democracia, outras vezes sentimos, que viver em Democracia é sinónimo de liberdade.

Em Democracia, cada um de nós pode exercer de uma forma positiva, os seus direitos de acordo com os seus princípios e capacidades, sem restrições à liberdade.

A liberdade em Democracia, responsabiliza e reforça a capacidade de cada um poder participar nas decisões mais justas e acertadas para a sociedade em geral e para o cidadão em particular.

A Democracia abrange todas as condições económicas, sociais e culturais, que permitem o livre e igual exercício da liberdade, especialmente a liberdade política, abarcando a ausência de condições incapacitantes para o individuo, permitindo o seu bem-estar e melhores condições de vida.

Em nome da liberdade, as Democracias são e foram sempre destruídas, de dentro para fora, por aqueles que no poder as viciam e empobrecem. Corroem-nas com a corrupção e o conluio, com suporte de compadrios e clientelas, dando a ideia que para eles não há uma interferência direta do Estado sobre as suas ações individuais e que são mais livres quanto mais o Estado deixar de regular as suas vidas.

A falta de restrições é diretamente proporcional ao exercício desta liberdade, onde todos aqueles que agem sem impedimentos de qualquer natureza, determinam os limites próprios e definem onde a sua liberdade começa e termina. Por isso parecem ser mais lives que todos os outros!

Infelizmente, este passou a ser o conceito de liberdade que muitos defendem e que aplicam no seu dia-a-dia. Para eles, a conquista e a preservação do poder é o seu principal objetivo e não têm intenção a abdicar dele.

Na nossa Democracia infelizmente, é possível encontrar exemplos de muitos que em nome da liberdade se mantém no poder à tempo demais, controlando organismos e instituições que servem os seus intuitos e os dos seus mais próximos, quer sejam familiares ou elementos do mesmo partido.

Este Estado encontra-se refém de interesses instalados, que se associam para um fim determinado ou com interesses comuns.

Os “velhos” atores políticos já pouco ou nada se revestem de ideologia política ou valores coletivos e isso faz com que o cidadão comum se vá desacreditando sendo por isso o nível de envolvimento e participação cada vez menor.

Os sinais de deterioração da nossa Democracia, nos últimos anos têm sido muitos e o desprendimento dos cidadãos pelos seus políticos mostrasse cada vez que há eleições, com a taxa de abstenção cada vez mais elevada.

São estes políticos, eleitos em escolhas com taxas de participação extremamente baixas, que vão decidindo os destinos do nosso país, obstruindo e descaracterizando a nossa Democracia. Isto faz com que o Estado e os seus principais atores se afastem cada vez mais das preocupações da sociedade em geral.

Este quadro está a obrigar à intervenção de outros atores políticos, que apregoam uma nova República, com uma nova ordem e uma nova governança. Asseguram ser diferentes e apresentam propostas de reajustamentos com a aplicação de medidas retificativas, que nos levam a temer que o seu sucesso possa dar origem a um grau de autoritarismo, que nos levará à rotura constitucional.

A deterioração da Democracia em Portugal, exige uma verdadeira reforma que permita a qualificação do atual regime, com novas propostas e novos protagonistas, que sejam capazes de promover um ideal de progresso, de bem comum e de defender a liberdade de todos e de cada um.

Precisamos de políticos que sejam capazes de promover uma nova forma de fazer política, com políticas novas, que vão de encontro às expetativas e preocupações de todos os que defendem a Democracia acima de tudo.

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