Silvina Queiroz, professora, escreve semanalmente às quartas no LUX24.

Homenageio hoje os enfermeiros, essa classe de profissionais tão esforçada e muitas vezes incompreendida.

Estarão com o restante pessoal médico e paramédico expostos a um perigo grande nos dias que correm com a aceleração da propagação do vírus Corona, de que evitarei falar, tal é o pavor que me infunde.

Neste momento em que escrevo, aguardam-se os resultados de análises feitas a duas pessoas internadas com suspeitas de infecção e espero que o resultado seja negativo, uma vez mais.

Em Maio de 2019, a Organização Mundial de Saúde decretou o ano de 2020 como o Ano Internacional do Enfermeiro e da Parteira. Expectável será que por todo o lado se sucedam iniciativas, dando corpo a este desígnio.

Coimbra já avançou, tendo aberto uma exposição, que ficará patente até final de Março na Escola Superior de Enfermagem da cidade. Destina-se a comemorar o bicentenário da “Mãe da Enfermagem”, Florence Nightingale e recebeu o sugestivo título de “Bicentenário da Dama da Lâmpada – de Nightingale aos dias de hoje”.

Aqueles de vós que eventualmente venham a Portugal por esta altura, poderão visitá-la e tenho a certeza que todos daremos por bem empregue o tempo gasto.

Falemos então um pouco de Florence. Aquando do seu nascimento, em 12 de Maio de 1820, a família vivia em Florença, na Itália, e a pequena recebeu o nome da cidade no seu baptismo. O pai era um milionário bem sucedido na vida e Florence uma “menina bem”.

Regressados a Inglaterra, (Florence era britânica,) frequenta as melhores escolas e estuda Filosofia, Línguas, Estatística, sendo uma especialista nesta matéria. Numa viagem ao Egipto, Florence visita hospitais, para além de se deslumbrar com a cultura monumental do país. Aqui nasce a sua inclinação pelo trabalho social entre enfermos.

Entre 1854 e 56 arrisca a sua vida, tratando feridos graves na Guerra da Crimeia, introduzindo inovadoras formas de tratamento de doentes, mesmo contra a vontade do corpo médico de serviço no conflito. Mas Florence não desiste dos seus propósitos humanitários.

Florence Nightingale – FOTO: Henry Hering / National Portrait Gallery, London / Wikipedia.org

Visita incessantemente as improvisadas enfermarias de campanha, munida de uma lâmpada, facto que lhe grangeou o “cognome” por que seria conhecida por todos, durante a guerra e após ela. Quando regressa a Londres, funda a primeira escola pública de Enfermagem no Saint Thomas’ Hospital.

Luta denodadamente para que as mulheres tenham igualdade de acesso de frequência desta e de outras escolas e iguais possibilidades de acesso a carreiras profissionais. Esta teimosia valeu-lhe algumas inimizades entre a alta sociedade, inimizades que ignorou. Era monarca de Inglaterra a popular Rainha Vitória, mulher igualmente dotada de um carácter forte como a famosa enfermeira.

Em 1901, Florence é agraciada com a Ordem de Mérito, sendo a primeira mulher a receber tal distinção. Depois de uma vida cheia e profícua, Nightingale morre aos 90 anos de idade, deixando mais de 200 documentos escritos entre livros, relatórios, planos de tratamento, e cerca de 2000 cartas, enviadas a diversas personalidades, um espólio valiosíssimo.

Tenho pela Enfermagem um carinho especial. Foi a primeira profissão que julguei querer vir a ter, quando muito criança. Tal “pretensão” valeu-me muitos ralhetes de minha tia querida, que eu idolatrava e que era… Enfermeira. Ela não queria para a “sua” menina a vida trabalhosa que levava!

Acabei mudando de paixão, sem arrependimentos alguns, mas ficou a ternura pelo Mundo da Enfermagem, no qual tenho alguns excelentes amigos, compinchas e camaradas. Conto com todos eles para o vigoroso combate em defesa do Serviço Nacional de Saúde, joia de valor incalculável e que urge preservar perante as ferozes ameaças de que vai sendo alvo.

Saúde rija e alegrias são os meus votos finais.

Queiram aceitar aquele abraço amigo. SQ

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