Rui Curado Silva, investigador em Física, escreve semanalmente às segundas no LUX24.

Há 40 anos a taxa de mortalidade infantil era de 26 para cada mil nascimentos. Hoje essa taxa é 10 vezes inferior e uma das mais baixas do mundo. Antes do 25 de Abril apenas um terço dos portugueses tinha entrado num hospital. A esperança média vida é agora 10 anos superior à média registada há 40 anos atrás e uma das mais elevadas da Europa.

Apesar do desinvestimento recente na saúde, Portugal tem hoje profissionais de saúde muito qualificados de norte a sul do país, ao serviço do cidadão comum, independentemente do seu estatuto social. Em quase todas as áreas da saúde Portugal possui equipamento e pessoas capazes de realizar terapias com as técnicas mais modernas.

Portugal tem hoje centros de referência mundial em áreas da medicina nuclear ou da neurologia. Temos investigadores saídos do serviço público que criaram aplicações médicas de alta tecnologia, como os óculos para fala assistida da LusoVU, recorrendo a tecnologias com origem na física nuclear ou na astrofísica.

Esta evolução era impensável há 40 anos atrás, num país então mal equipado, com hospitais vetustos e com uma taxa terceiro-mundista de número de pacientes por médico.

A visão de António Arnaut, de Mário Mendes e de todos aqueles que há 40 anos ousaram pensar que a saúde era um bem universal, implementando o Serviço Nacional de Saúde, gerou benefícios incalculáveis para o país, colocando Portugal com níveis de bem-estar em certas áreas acima de alguns dos países mais desenvolvidos do mundo.

São resultados cabais que o lobby da saúde privada não consegue negar.

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