Miguel Torres, Software Developer e Gestor de Dados, escreve semanalmente no LUX24.

Zaidu s.m. Feito memorável executado pela pessoa que menos se esperava. Patinho feio que se transforma em cisne após feito inexplicável.
Fazer um Zaidu: Colaborador menos conceituado de uma empresa acabar uma tarefa em grande estilo.

Há pouco mais de uma semana nasceu uma nova palavra no dicionário da Porto Editora, perdão, FCPorto Editora. Tudo aconteceu quando Zaidu, jogador nigeriano do Porto, marcou um golo no último minuto dos descontos que selou o campeonato no estádio dos maiores rivais.

Para quem não conhece muito bem esse desporto pouco conhecido em Portugal chamado futebol, Zaidu é um jogador mal-amado pelos seus adeptos (na melhor das hipóteses) e gozado pelos adversários.

Existem várias razões para esse seu estatuto, a primeira, algum racismo inerente a alguns adeptos deste desporto. Alguém com o seu nome e a sua cor de pele está a meio caminho de ser motivo de chacota em Portugal. A isso adiciona-se um problema comum a quem vem das suas origens, a falta de formação de base.

Enquanto jogadores jovens portugueses como Vitinha, Fábio Vieira e João Félix aos sete ou oito anos já jogavam em campos sintéticos com treinadores certificados, Zaidu nessa idade tinha outras coisas com que se preocupar e só no fim da adolescência é que começou a aprender a jogar futebol.

E, por isso, é normal que por vezes não saiba em que sítios deve andar no campo ou o melhor gesto técnico para parar a bola.

Nas (poucas) vezes que fui a África pude testemunhar como a falta de sistemas de ensino afetam o desenvolvimento dos próprios países.

Pode existir muito talento em muita gente, mas o talento se não for educado esvai-se na espuma dos dias. E acontece em todos os setores, travando o crescimento das sociedades.

Mas já que falamos em futebol, gostava de contar uma história. Certo dia, numa aldeia remota da Serra Leoa, encontrámos uma criança com uma camisola do Sporting vestida.

Não sabemos como lá chegou, talvez através de uma daquelas instituições que recolhe roupas usadas num contentor de Alvalade.

O que é certo é que a pobre criança não fazia a mínima ideia do significado da camisola que tinha vestida, porque não teve educação para isso. Se soubesse, por certo teria pegado noutra camisola, azul e branca.

FOTO © MIGUEL TO0RRES
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