
O desporto não se tem conseguido adaptar à liberalização da sociedade. Na mesma semana, duas questões relacionadas com a comunidade LGBT revelaram que ainda há muitos problemas a resolver. Curiosamente em situações quase opostas.
Laurel Hubbard é a primeira atleta transgénero a qualificar-se para os Jogos Olímpicos. Irá representar a Nova Zelândia em halterofilismo. Parece-me inaceitável que só em 2021, nos jogos de Tóquio 2020 (!), exista uma atleta assumidamente transgénero a participar nuns jogos.
No entanto, esta atleta irá participar na categoria feminina e, tendo em conta que cresceu como homem e apenas aos 35 anos mudou de sexo, existem vantagens adquiridas, nomeadamente ao longo da puberdade, que lhe dão vantagem relativamente a competidoras que nasceram mulheres. A ciência já o comprovou. Isto afecta o desporto feminino e, em teoria, pode levar a que jovens mulheres percam motivação para praticar.
Na minha opinião, a resolução seria simples: uma categoria “absoluta” em que todos possam competir e uma categoria feminina, reservada apenas para pessoas que nasceram mulheres. Outra hipótese seria criar uma terceira categoria para todos os outros géneros situados entre homens e mulheres, mas acredito que, dada a percentagem de pessoas que se identificam com este espectro ser bastante reduzida, não seria a situação mais eficaz.
Pouco tempo depois, surgiu a notícia que a Allianz Arena de Munique queria iluminar toda a sua fachada com as cores do arco-íris no jogo Alemanha – Hungria, mas foi impedida pela UEFA.
Fiquei algo surpreendido, porque geralmente no final do arco-íris há sempre um pote de ouro e a UEFA é obcecada por potes de ouro e todos os bens materiais que possam existir.
Mas a razão foi o facto de se tratar de uma tomada de posição política, daquelas tomadas de posição políticas que a atmosfera faz quando está sol e chuva.
Pelos vistos, os organismos que gerem o futebol têm medo que o regime de Orbán fique incomodado com os símbolos de solidariedade que ele próprio proibiu no seu país, mas não tem problemas em atribuir jogos de europeus e mundiais a regimes que criam legislação que persegue a comunidade LGBT, seja a Hungria, a Rússia e o Qatar.
E não é por criarem mensagens bonitinhas de integração nas redes sociais que disfarçam o lado que realmente apoiam. Ainda nem sequer chegaram aquela parte do “eu não tenho nada contra os homossexuais, até tenho um jogador que é gay”, já que em toda a História de Europeus e Mundais, nem um único jogador teve segurança para sair do armário.
Fomos criados em ambientes binários. Foi-nos ensinado que a normalidade é binária: pai e mãe, homem e mulher, carne e peixe, cão e gato, bem e mal, mas à medida que crescemos devíamos habituar-nos que a vida não é um filme da Disney.
Tal como os Jogos Olímpicos de 2020 se podem realizar em 2021, as coisas não têm que ser todas como pré-concebemos na nossa mente.
Cada um deve ter a liberdade de fazer o que quer e viver a vida como quiser, desde que não prejudique ninguém. E o amor não prejudica ninguém, que eu saiba. Na realidade há todo um espectro entre um pólo e outro.
Um espectro como o arco-íris, que tem todas as cores e não apenas o preto e o branco.
Por favor fale connosco.







