Miguel Torres, Software Developer e Gestor de Dados, escreve semanalmente às quintas no LUX24.

Pela primeira vez desde 1896, tivemos de esperar cinco anos para podermos ver uma nova edição dos Jogos Olímpicos. Em Portugal, este período costuma ser de ilusões e desilusões, com esperança de uma medalha seguida de um “quase que conseguíamos”.

Curiosamente, se olharmos para a população mundial (7.6 mil milhões) e o número de medalhas atribuídas em Tóquio (497), a média seria uma medalha por cada 15 milhões de habitantes, ou seja, Portugal populacionalmente não teria uma única medalha.

Claro que há desportos coletivos e a média de medalhados acaba por ser maior (por exemplo, no futebol são 22 jogadores, mas apenas conta como uma medalha), mas, no final, o número de medalhas que Portugal consegue angariar não anda muito longe do expectável para a população. E se compararmos a percentagem do PIB de Portugal com o PIB mundial também não teríamos mais do que uma medalha.

A prestação de Portugal em termos de medalhas é condizente com a sua população e economia e até supera o expectável tendo em conta os baixos níveis de atividade física existentes no nosso país. Por isso, é de todo o modo injusto criticar os nossos atletas que passam por tantos sacrifícios para serem os melhores do mundo numa modalidade que a última vez que as pessoas se lembraram de ver foi há cinco anos. São inaceitáveis as críticas que lhes fazem nas redes sociais.

Esta expressão podia ser válida há dois ou três Jogos Olímpicos atrás. A verdade é que hoje há uma mudança muito grande para melhor. A grande maioria das pessoas já entende os sacrifícios que um atleta de alta competição passa e as redes sociais até serviram para aproximar os desportistas e a população em geral.

Há, por isso, esperança no futuro e acredito que haverá cada vez mais gente a praticar diferentes desportos e, com isso, a ganhar cultura para não seguir apenas o futebol.

Quem ainda vive no século XX são os jornais desportivos, que preferem dar mais destaque a um jogo particular de futebol entre um grande e uma equipa das distritais, com 23 substituições e sem cartões amarelos do que a resultados que ficam na História do desporto mundial.

Mas também, quem ainda lê diariamente esses jornais em formato de papel, para comprá-los diariamente não deve ter muitos mais anos de vida pela frente. É que só após uma bebedeira muito grande é que alguém é capaz de comprar um jornal desportivo, e com tanta bebedeira diária a cirrose deve estar aí a bater à porta.

Só é pena que marcas como as já citadas muitas vezes adidas e Puma, continuem a pensar que os jornais desportivos é que marcam tendências, preferindo patrocinar equipamentos de equipas de futebol que são profícuas em jogos particulares do que atletas profícuos em medalhas.

Mas, por certo, os portugueses mais cultos desportivamente, que praticam desporto com equipamento desportivo, irão dar a respostas certas quando se vestirem para correr, andar de bicicleta ou derrotar por Ippon políticas de marketing ultrapassadas.

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