Miguel Torres, Software Developer e Gestor de Dados, escreve semanalmente às quintas no LUX24.

Muitos dos dias festivos em Portugal, como o São Marinho, o Carnaval ou o Verão passam totalmente despercebidos no Reino Unido. Curiosamente, um dia improvável como o das mentiras também é assinalado no calendário britânico mas com o nome de April Fool’s Day, ou seja Dia dos Chalupas.

No fundo, com esta pandemia, viemos a redescobrir que chalupas e mentiras são sinónimos e que já no passado quando se inventou este dia estavam a falar do mesmo. Contudo, há ligeiras diferenças em ambos os países.

Em Inglaterra acaba tudo ao meio dia. Devia ser só o meio dia dos chalupas ou o dia dos meio chalupas, e se disseres uma mentira às 12:01 é quase tão grande como comeres um scone sem o partir ao meio ou ficares parado do lado esquerdo das escadas rolantes.

Já no dia 2 de Abril é que dizem que afinal não vai ser construído um aeroporto em Montalegre depois de milhares de emigrantes em Newark irem ao site da American Airlines à procura de bilhetes entre o JFK International e o Morcela Internacional.

Por outro lado, como é dia dos chalupas, a cultura anglófona aborda outras áreas da chalupagem que vão para lá das mentiras e das fake news. Empresas gostam de fazer algo diferente e obter marketing gratuito. Já tivemos google maps a aparecerem com o pacman ou a netflix a criar um filme original que é um frango a ser assado no espeto durante 73 minutos. Coisas que, na minha opinião, fazem mais sentido do que achar que as vacinas causam autismo.

Muita gente não gosta deste dia. Olha para estas brincadeiras como uma perda de tempo. Mas o que seria de nós sem mentiras e chalupas? Quem abriria restaurantes durante a quarentena? Com quem riríamos durante estes dias negros que atravessamos?

O primeiro de Abril não é mais que uma homenagem a uma vida que não deve ser levada muito a sério.

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