Miguel Torres, Software Developer e Gestor de Dados.

Já há dois anos, desde a queda de Evo Morales na Bolívia, que não víamos um Golpe de Estado bem sucedido no continente americano. Aconteceu esta semana e, uma vez mais, teve o dedo dos Estados Unidos.

Ficou provado que as eleições não tornam um país mais democrático. A democracia faz-se na rua com bandeiras, cartazes e grades de cerveja. A partir de agora o Presidente dos Estados Unidos não é escolhido pelos votos, mas será aquele cujos apoiantes escancaram as portas do Capitólio. E como os apoiantes de Trump foram os primeiros a entrar no edifício, Trump tem toda a legitimidade para liderar o país.

Como primeira medida no seu novo mandato, Trump demitiu a líder da Câmara dos Representantes e colocou no seu lugar o, até agora desconhecido, Richard Barnett, que vivia no Arkansas e que decidiu ficar com o escritório da ex-líder.

Conhecemo-lo sentado na cadeira, com os pés em cima da secretária e no gabinete que pertencia, até então, a Nancy Pelosi. Se até agora nos queixávamos que os políticos não faziam nenhum, eis que finalmente temos um político que não faz nada mas com estilo. Richard Barnett é dos melhores do mundo a pồr as botas em cima da secretária.

Tendo em conta que Mike Pence, Vice-Presidente e por inerência Presidente do Senado, tentou aprovar a eleição falhada de Joe Biden para Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump decidiu demiti-lo como no seu programa de televisão. Para o seu lugar escolheu um novo dress code e um novo titular.

O dress code é uma homenagem aos valores culturais norte-americanos. O Vice-Presidente fica obrigado a utilizar sempre um gorro com pele de coiote, numa homenagem a um dos animais mais simbólicos dos Estados Unidos: gostam de atacar presas mais pequenas e aliam-se a animais mal-cheirosos como texugos para caçar.

Por cima desse gorro devem estar dois cornos de plástico, uma homenagem às guerras que o país criou por causa de produtos derivados do petróleo e também aos casos extraconjugais do seu Presidente.

O titular do cargo deve estar sempre de tronco nú (para mostrar ao mundo como ficará a economia americana no fim da pandemia) e com tatuagens alusivas à Mitologia Nórdica, já que os brancos, altos e loiros são os escolhidos por Deus para liderar a América. Por fim, deverá ter sempre a bandeira. Uma pintada na cara e outra, enorme, na sua mão, que pode servir de arma de arremesso caso um Senador não vote a favor de Donald Trump.

O escolhido, e que já utilizou esta vestimenta chama-se Jacob Anthony Chansley, também conhecido por Jake Angeli, um Xamã da QAnon. Finalmente um Presidente teve a escolha certa para este cargo. Até agora tivemos líderes do Senado que, quanto muito, conseguiram controlar discussões terrenas.

Nunca ninguém tinha conseguido dar voz aos Senadores do Além, que merecem tanto respeito como os Senadores vivos. Aliás, em tempo de pandemia, a sua decisão de se fazerem as reuniões do Senado remotamente através do Jogo do Copo impedirá o alastramento da doença pelo edifício do Capitólio. Parabéns Jake Angeli, que os mortos te ajudem a levar o país para a frente.

Para o órgão executivo, que tem 15 membros, Donald Trump soube precaver este momento no passado. Os principais Secretários serão: a sua mulher Melania (Finanças) e os seus filhos Ivanka Trump (Secretária de Estado), Donald Trump Jr (Defesa), Eric Trump (Procurador-Geral), Barron Trump (Assuntos dos Veteranos) e Tiffany Trump (Interior). Os restantes serão atribuídos aos cônjuges dos que estão casados, às ex-mulheres e aos animais de estimação.

Se algo correu mal no primeiro mandato de Donald Trump foi ter que atribuir cargos a membros do seu partido. Com esta nova forma que ele encontrou de chegar ao poder, esse problema ficou resolvido e, a partir de agora, sem limite de mandatos, Trump vai poder executar as políticas que sempre quis.

Quando um dia partir (batam na madeira), Sua Majestade Dom Donald deixará um país melhor aos seus herdeiros. Podem chamar todos os nomes a Trump, inclusive fachista.

Mas ele não é fachista, apenas um simples defensor das Monarquias Absolutistas. D. Miguel, se voltasse hoje num cavalo branco iria ter orgulho neste seu seguidor.

Publicidade
Falhas, erros, imprecisões, sugestões?
Por favor fale connosco.
Publicidade